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SELEÇÃO BRASILEIRA: COPA DE 1982.
SELEÇÃO BRASILEIRA: COPA DE 1982.

Crônica de uma derrota anunciada: o Brasil de 1982

Cinco de Julho de 1982, Sarriá, Espanha. Itália 3×2 Brasil. Chegava ao fim a existência de um time que encantou amantes do futebol, marcando 15 gols em 5 jogos. Porém, a história da formação da equipe mostra que as chances de dar errado (como deu) eram enormes.

mascote
Após o fracasso na Copa América de 1979 (o Brasil foi vice para o Paraguai), Coutinho deixou o comando da Seleção Brasileira e foi substituído por Telê Santana. Telê já era treinador de futebol desde 1969, mas ganhou destaque no fim da década de 70, após treinar o Grêmio que interrompeu uma sequência de 8 títulos gaúchos seguidos do Internacional em 1977 e treinar o Palmeiras que, com elenco modesto, chegou à semifinal do Campeonato Brasileiro de 1979. 
Telê assumiu o comando da Seleção em fevereiro de 1980, em um amistoso contra um time brasileiro de jovens. O placar foi de 7×1 para o Brasil, mostrando o que seria a tônica daquela equipe: ataque poderoso, mas defesa frágil. Foram 38 jogos entre a estreia e a eliminação perante a Itália, com o Brasil sofrendo gols em 22 desses jogos.
Em 1980, o Brasil fez nove jogos amistosos. O destaque positivo ficou por conta da goleada por 6×0 sobre o Paraguai, com show de Zico. O destaque negativo, a derrota por 2×1 para a União Soviética, no Maracanã. Contra a União Soviética, o Brasil abriu o placar, mas tomou a virada ainda no primeiro tempo, com dois gols em falhas da defesa brasileira, algo comum na Era Telê.

Brasil 1 x 2 União Soviética.

copa

Brasil 6 x o Paraguai

https://youtu.be/TCqbJS7rj-0

Outra coisa a ser destacada era a pouca confiança do técnico nos goleiros e sua absoluta recusa em chamar Émerson Leão, na época considerado o melhor do Brasil na posição. Durante o ano de 1980, o Brasil fez 12 jogos, com Carlos (Ponte Preta), Raul (Flamengo) e João Leite (Atlético MG) se revezando no gol.
No miolo de zaga também aconteceram muitos testes, com Amaral (Corinthians), Luizinho (Atlético MG), Edinho (Fluminense), Juninho (Ponte Preta), Oscar (São Paulo) e Mauro Pastor (Internacional) sendo experimentados. Durante todo o ano de 1980, podemos dizer que as únicas unanimidades de Telê Santana eram formação do meio-campo por Batista, Cerezo, Sócrates e Zico, e a lateral esquerda, onde Junior era titular absoluto.
Falcão jogou apenas uma partida, pois, no meio de 1980, foi negociado para a Roma (os clubes não liberavam jogadores para amistosos). Na frente, mais indefinições, com Reinaldo, Nunes, Serginho e até Sócrates ocupando a posição de centroavante do time. Éder Aleixo (Atlético MG), titular em 1982, passou todo o ano de 1980 no banco. O então titular da vaga, Zé Sérgio (São Paulo), acabou não disputando o mundial em virtude de uma lesão.

símbolo
O Brasil passou um ano sem conseguir montar uma espinha dorsal. Existiam muitos bons jogadores em várias posições e, a cada convocação, Telê sofria imensa pressão da imprensa de cada estado por jogadores na equipe. Inseguro, o técnico se deixou influenciar pela mídia, especialmente no que tange a atletas do Rio de Janeiro e do Flamengo, na época melhor time do país e um dos melhores do mundo. Jogadores como Leandro, Andrade e Adílio eram sumariamente ignorados. Leandro recebeu uma convocação, para a partida de estreia de Telê, quando foi reserva do limitadíssimo Perivaldo (Botafogo). Andrade também foi chamado apenas uma vez, para uma partida contra a Seleção Mineira. Adílio sequer foi convocado.
Em 1981, mais indefinições. João Leite começou o ano como titular da Seleção Brasileira, mas perdeu a vaga para Waldir Perez, que não mais saiu do gol da equipe. No meio-campo, Paulo Isidoro foi titular em 11 dos 16 jogos do time, no começo no lugar de Sócrates ou Zico, mas, na reta final do ano, substituindo Batista.
No início de 1981, o Brasil disputou o Mundialito do Uruguai. Era uma competição organizada pela FIFA e que contava com Brasil, Argentina, Uruguai, Itália, Holanda e Alemanha Ocidental. Com certeza, seria um excelente teste para o Brasil. As seis equipes foram divididas em dois grupos com três times, em uma disputa de turno único dentro dos grupos, cujos vencedores passariam à final.
Na estreia do Brasil, empate em 1×1 contra a Argentina, sendo o gol adversário marcado por Maradona em clamorosa falha de Carlos, que foi sacado da equipe para o segundo jogo.

Brasil 1 x 1 Argentina


Na segunda partida, o Brasil enfrentou a Alemanha e precisava vencer para avançar à decisão, já que a Argentina havia derrotado os alemães por 2×1. Porém, mais uma vez, o time de Telê saiu atrás no placar por conta de uma falha da defesa brasileira. A equipe chegou à goleada depois, vencendo por 4×1, mas o setor defensivo seguiu preocupando. Como ponto positivo, a vitória por goleada ajudou  a recuperar o prestígio da equipe, que andava em baixa devido à campanha mediana no ano de 1980.

Brasil 4 x 1 Alemanha


Na decisão contra o Uruguai, novas falhas da defesa brasileira custaram o título. O jogo terminou com a vitória da Celeste Olímpica, 2×1.

Brasil 1 x 2 Uruguai


A posição de centroavante também permanecia indefinida. Nas três partidas do Mundialito, Sócrates jogou como homem mais avançado da equipe brasileira, atuando praticamente como o que hoje chamamos de ”falso 9”. Nas Eliminatórias, ele voltou ao meio-campo, com Reinaldo (Atlético MG) tendo começado como titular em três dos quatro jogos da classificação (Serginho Chulapa começou o outro) e também nas partidas contra França (vitória por 3×1) e Inglaterra (vitória por 1×0), na famosa excursão que o Brasil fez à Europa, que também teve uma vitória contra a Alemanha, por 2×1.

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 Mas, mesmo nessa excursão, os gols sofridos foram sempre em falhas da zaga. Na partida contra a Alemanha, a defesa brasileira ficou no mano a mano e, mais uma vez, a bola não foi cortada em um cruzamento e o time tomou o gol. No jogo contra a França, uma dificuldade tremenda em dar um chutão acabou acarretando em gol de Six, com um chute fraquinho que não foi defendido por João Leite.
No segundo semestre de 1981, o Brasil fez mais quatro amistosos, novamente sem conseguir repetir um time, especialmente no ataque. Baltazar (Grêmio) foi titular em dois jogos, Dinamite (Vasco) em um jogo e Roberto Cearense (Sport) em outro. 
Curiosamente, no jogo que Roberto Cearense foi titular, a partida foi disputada em Maceió, dando margem a questionamentos como ”colocou para jogar para agradar a torcida”, acusação que Telê sofria de forma recorrente por alguns setores da imprensa.

 O ano da Copa do Mundo começou em 26 de Janeiro, em um amistoso contra a Alemanha Oriental. Mais uma vez, houve indefinição no ataque, com Dinamite escalado entre os titulares. A equipe venceu por 3×1, porém Dinamite foi sacado e Serginho anotou um gol. No jogo seguinte, amistoso contra a Tchecoeslováquia, Dinamite tornou a ser titular e a passar em branco. A partida terminou em 1×1 e marcou a despedida de Jairzinho, o Furacão. O gol dos tchecos foi marcado em chute de fora da área (Waldir Peres caiu atrasado para tentar a defesa).

Amistoso: Brasil 3 x 1 Portugal.

 

No antepenúltimo amistoso antes de deixar o país, o Brasil bateu Portugal por 3×1. No penúltimo, reestreia de Falcão no time após 2 anos, empatou em 1×1 contra a Suíça, jogo que também marcou a estreia de Careca (Guarani) entre os titulares. 
O Brasil faria um último amistoso, contra a Irlanda, no Parque do Sabiá. A equipe venceu por 7×0, mas teve uma importante baixa para a Copa do Mundo: Careca sofreu uma lesão muscular e foi cortado do grupo, trazendo novamente o limitado Serginho Chulapa para o time titular e abrindo vaga para a convocação de Roberto Dinamite. Reinaldo, que participou de boa parte da preparação e estava bem fisicamente, acabou não sendo chamado. O ex-jogador sempre afirmou que sua ausência foi exigência dos militares que comandavam o país na época, devido a suas preferências políticas. 
O que sabemos de fato é que tanto Reinaldo quanto Roberto Dinamite eram jogadores com muito mais recursos técnicos que Serginho Chulapa. Além disso, se encaixavam melhor na forma de jogar do Brasil, um time extremamente técnico do meio para frente e que baseava seu jogo nas triangulações e troca de passes rápidos, algo que Chulapa – um homem de área nato e trombador – nunca soube fazer.

A estreia e a primeira das falhas recorrentes

seleção brasileira

No jogo de estreia, o Brasil enfrentou a União Soviética, adversário que, como visto acima, já havia vencido o Brasil de Telê. Adversário difícil, jogo truncado. A seleção tomou um gol muito parecido com outros sofridos: um chute fácil de fora da área que o goleiro não conseguiu defender. Waldir Peres, Carlos e João Leite sempre deixavam a desejar nesse aspecto quando vestiam a camisa da Seleção. Também devemos destacar que o Brasil entrou com Falcão de primeiro volante, já que não tinha Cerezo, suspenso por uma expulsão nas Eliminatórias. 
O Brasil entrou em campo quase completo, faltando apenas Cerezo na formação clássica que entrou pra história (Waldir, Leandro, Luizinho, Oscar, Junior; Falcão, Sócrates; Dirceu, Zico, Éder; Chulapa), com Sócrates e Falcão de volantes e Dirceu aberto pelo lado direito. 
Cabe lembrar que no elenco estavam Batista e Paulo Isidoro, presenças constantes entre os titulares no período de preparação. Dirceu, de outra forma, foi chamado apenas para a Copa do Mundo e tinha feito somente dois jogos pela equipe, além de ser um jogador que fez carreira jogando pelo lado esquerdo do campo. Em um setor primordial como o meio campo, entrosamento é tudo, e o Brasil do primeiro tempo tinha dois atletas que praticamente não jogaram com os companheiros nos anos anteriores: Falcão e Dirceu.
Na segunda etapa, Telê corrigiu o posicionamento e colocou Paulo Isidoro. O jogador do Grêmio foi para o lado direito do campo e fez dupla infernal com Leandro, encurralando a equipe soviética, com muita troca de posição entre ambos. Não à toa, foi a única grande partida de Leandro durante toda Copa do Mundo, já que teve um ponteiro nato a seu lado e alguém para se aproximar.
Mesmo com toda a pressão e algumas boas oportunidades criadas, o time só virou nos 15 minutos finais, em duas jogadas de mais méritos individuais que coletivos. Na primeira, Sócrates driblou dois soviéticos e acertou um chutaço de fora da área. Na segunda, Paulo Isidoro fez boa jogada pela direita e passou para Falcão, que fez o corta-luz para Éder acertar um belo chute e virar o jogo aos 42 minutos do segundo tempo.
É necessário ressaltar que os soviéticos tiveram duas penalidades claras não marcadas, ambas cometidas por Luizinho. A primeira quando o jogo ainda estava 0×0 e a segunda quando o jogo já estava 1×1.

A primeira partida que encantou e, novamente, um gol tomado de fora da área

No segundo jogo, a tabela apontava um confronto contra a Escócia. Por ser um time de tradição no futebol, era esperada alguma dificuldade. Porém, o Brasil atropelou, vencendo por 4×1, em grande tarde do meio-campo, que contava com a volta de Cerezo. Entretanto, uma vez mais, aconteceu o famoso golzinho de fora da área. Desta feita, nenhuma culpa de Waldir Perez, apenas do excesso de espaço na entrada da área do Brasil.

No terceiro jogo, o adversário era uma equipe praticamente amadora, que não ofereceu qualquer resistência defensiva ou perigo ofensivo ao Brasil. A Nova Zelândia perdeu por 4×0 – e poderia ter sido por um placar ainda mais elástico.

A segunda fase
Na segunda fase, o regulamento previa que fossem feitos quatro grupos com três equipes: todos contra todos em turno único com a equipe que terminasse na ponta avançando à semifinal. O Brasil saiu em primeiro no seu grupo da primeira fase e pegou Itália e Argentina, que haviam terminado em segundo nas suas chaves. 
Nem argentinos nem italianos haviam apresentado bom futebol até então. A Itália passou graças ao critério gols marcados e a Argentina perdeu a primeira posição na chave para a Bélgica. Os confrontos eram vistos como ”barbada” para o Brasil, que era favorito a vencer os dois rivais e avançar à semifinal. 
No primeiro jogo do grupo, a Itália venceu a Argentina por 2×1, deixando os hermanos com a obrigação de vencer o Brasil para evitar a eliminação.

 O jogo contra a Argentina
A partida contra a Argentina foi disputada sob grande tensão. Além da histórica rivalidade, os dois times eram considerados favoritos ao título e a partida era de vida ou morte para a Argentina. 
O jogo começou quente, com Kempes fazendo boa jogada e cruzando para Galvan cabecear no meio da zaga brasileira, para boa defesa de Waldir Peres. Logo depois, o Brasil armou um contra-ataque e Serginho foi derrubado por Passarela. Éder soltou a bomba, Fillol fez leve desvio, a bola bateu no travessão e sobrou para Zico, que empurrou para o fundo do gol.

Ainda no primeiro tempo, o excesso de confiança quase prejudicou o time brasileiro, com Junior tentando um recuo muito difícil para Waldir em vez de dar o chutão para a lateral. Maradona fez falta no goleiro e o lance não deu em nada. Na sequência, a Argentina fez boa jogada pela direita, Maradona achou Calderón, que teve muito espaço para finalizar de fora da área, mas bateu para fora. O Brasil respondeu com Falcão, que desperdiçou grande chance após excelente passe de Leandro. O jogo seguiu lá e cá, com boas chances para os dois lados, sendo Falcão o grande destaque brasileiro. No final do primeiro tempo, a Argentina quase chegou ao empate após escanteio. Em mais uma bola na área do Brasil, Waldir fez grande defesa. A Seleção ainda criou uma chance com Zico, mas não houve tempo para mais nada na primeira etapa.

Na volta para o segundo tempo, a Argentina tentou buscar o empate e Maradona foi o mais acionado, gerando, inclusive, um polêmico lance de disputa com Junior, no qual o argentino reclamou uma penalidade. Em mais uma cobrança de escanteio, a zaga brasileira cortou mal (para frente da área) e o rebote foi argentino. Barbas emendou de primeira, e a bola só não causou maiores problemas por causa da intervenção de Junior. Após sofrer pressão argentina, o Brasil mostrou que ainda estava vivo, com Cerezo criando duas boas chances. O time adversário respondeu com Ramon Diaz, completamente livre e desmarcado, em mais uma finalização de fora área.

O Brasil teve outra grande oportunidade de gol com Zico, com o Galo achando Falcão, e o Rei de Roma cruzando na cabeça de Chulapa, que só escorou para fazer 2×0. Dez minutos depois, o Brasil trocou passes no meio campo e Zico achou Junior entrando na diagonal. O Capacete recebeu na cara de Fillol e meteu no fundo do barbante: 3×0 Brasil.
O jogo ficou nervoso, com os argentinos dando pancada nos brasileiros e querendo encrenca. Passarela entrou para quebrar Zico em um lance e Maradona deu um chute em Batista, o que lhe rendeu a expulsão. Logo em seguida, após saída de bola errada do Brasil (que insistia em contrariar a regra de escolinha e sair jogando em frente ao gol), Ramon Diaz diminuiu para a Argentina em um chutaço de fora da área.
O Brasil venceu, eliminou o arquirrival, mas cometeu muitos erros defensivos, que, fortuitamente, não foram aproveitados pelos hermanos. O time de Telê ganhou o jogo por ter melhores valores e uma equipe unida, enquanto o grupo de Maradona era completamente rachado entre a turma de Passarela e a turma do Pibe. A Itália tinha problemas, mas problemas de fora para dentro. Era um time unido, melhor tecnicamente e com mais gana de vencer que os argentinos. Descobriríamos isso da pior forma possível, na partida que entrou para a história como ”A Tragédia do Sarriá”.

 O pré jogo

 5 de Julho de 1982, Estádio Sarriá. 44 mil pessoas vão ao jogo que muitos acreditavam ser uma mera formalidade. O Brasil já seria considerado absolutamente favorito contra a Itália pelo futebol apresentado por ambas as equipes durante a Copa do Mundo. Tendo a vantagem de poder empatar então, pensar em eliminação era pecado e falar em eliminação era crime lesa pátria.
Do outro lado, uma equipe em crise com torcida e imprensa, mas com seis jogadores da Juventus de Turim, três da Internazionale e dois da Fiorentina. Era uma equipe que se conhecia, acostumada a jogar junta e com pelo menos quatro craques: Zoff, Gentile, Cabrini e Tardelli. Ainda contava com Rossi, atacante bem acima da média. Além de tudo isso, era uma equipe acostumada com Copa do Mundo, com oito dos titulares tendo disputado a edição anterior, inclusive entrando em campo contra o Brasil na disputa do terceiro lugar. Ouso dizer que foi a equipe mais qualificada e experiente que o Brasil enfrentou no período de jejum de títulos mundiais. Sim, mais que a Holanda de Cruijff (que não tinha qualquer experiência em Copas) ou a Argentina de Maradona em 90 (experiente, mas um arremedo de time que chegou aonde chegou por causa do Pibe).
Erros defensivos não seriam perdoados (como não foram) e não teríamos a mesma facilidade de criar oportunidades como criamos nos outros jogos. Desnecessário falar da capacidade defensiva de jogadores como Zoff, Cabrini, Scirea e Gentile. Mas é necessário afirmar que eram jogadores que jogavam juntos desde 1976, treinavam praticamente todo dia e todos eles sabiam de duas coisas primordiais: Zico e Falcão não poderiam jogar e a defesa do Brasil era vulnerável, especialmente em bolas aéreas.
A intenção não é minimizar o talento do time brasileiro ou elevar o status da Azzurra. É mostrar que uma equipe entrou sabendo todos os pontos fortes e fracos da outra e por isso ganhou o jogo e a outra continuou repetindo os mesmos erros que vinham desde o começo da preparação e por isso perdeu. A Itália respeitava demais o Brasil. Reza a lenda que jornalistas italianos mais dramáticos foram pedir a Enzo Bearzot (treinador da Itália) para que o time nem entrasse em campo, para o time não ser humilhado. Outro conto que nunca saberemos se é verdade ou mentira é que os jogadores da Itália saíram para o jogo já com as malas arrumadas para voltarem para casa após a peleja.

O primeiro gol: a famosa bola aérea no meio da zaga.

 O jogo começa e a Itália logo tem uma oportunidade, desperdiçada por Rossi, que falha no arremate. Na segunda chance, porém, ”O Carrasco” não desperdiçou. Conti virou o jogo para Cabrini, que ficou no mano a mano com Leandro. O lateral italiano (craque de bola) cruzou entre Luizinho e Junior. Não houve cobertura do ex-lateral do Flamengo e Rossi, sozinho, testou sem chances para Waldir Perez. Eram 5 minutos de jogo e a Itália saía na frente.
O Brasil precisava buscar o empate e correu atrás, encurralando a Itália no seu campo. Primeiro, Serginho desperdiçou uma oportunidade clara, na frente de Rossi, em uma bola que estava mais para Zico. Gol que um centroavante titular de uma Seleção Brasileira jamais pode perder em um jogo desse quilate. Gol que o Dinamite não perderia. Serginho – que era apenas um cara de escorar bola para o gol e fazer gol de cabeça – chutou bizarramente para fora. Logo depois, Zico recebe de Sócrates, entorta Gentile e abre-se um clarão na defesa da Itália. O Galo passa para o Doutor, que entra em velocidade na área da Itália e bate firme, canto inferior esquerdo de Zoff, sem chance de defesa. Era o gol de empate e a vaga voltava para o Brasil.

O segundo gol: a mania de sair jogando pelo meio e atravessando bola na frente da área.

 O jogo seguiu intenso e disputado, com Gentile marcando Zico individualmente e a Itália apertando a marcação assim que o Brasil passava do meio campo. Até que aos 25 minutos de jogo, Waldir Perez sai jogando com Leandro pela lateral direita. O lateral do Flamengo domina e passa para Cerezo, que estava completamente desmarcado. Só que a Itália conhecia o Brasil e adiantou sua marcação, fazendo uma linha de três homens à frente da área do time brasileiro: um marcando Leandro, outro saindo para abafar Cerezo e Rossi vigiando o lado esquerdo. Mesmo assim, como podem ver na imagem abaixo, Cerezo ainda tinha Oscar mais atrás e Zico e Sócrates mais à frente. Eram oito jogadores do Brasil contra três da Itália. Só que, como o time sempre fazia (foi o Cerezo, mas poderia ser qualquer outro no lugar, contra a Argentina foi o Falcão), a escolha pela jogada era sair pelo meio, buscando aproximação Cerezo/Falcão/Sócrates/Zico. Porém, Cerezo errou o passe, Luizinho (ainda tentou fazer a falta) e Falcão não esperavam a bola errada e Rossi, ligado, se antecipou para roubar e bater na saída de Waldir Perez. Muitos dizem que não, mas eu considero falha do arqueiro do Brasil. Acho que era uma bola defensável. Eram 25 minutos do primeiro tempo e o placar apontava 2×1 para os italianos.

Tendo que correr atrás novamente, o Brasil adiantou ainda mais seu time e procurou encurralar a Itália. Há muitas reclamações sobre uma penalidade não marcada em cima de Zico, que teve sua camisa rasgada por Gentile dentro da área, em lance absolutamente claro. A alegação da arbitragem é que o lance já se encontrava paralisado, pois Zico estava impedido. Nunca encontrei um ângulo de câmera que me desse 100% de certeza sobre o lance. O primeiro tempo acabou 2×1 para a Itália.
Na volta do intervalo, Falcão e Serginho desperdiçam excelentes oportunidades, sendo a do atacante brasileiro claríssima. Serginho recebeu de Zico nas costas da zaga, Zoff saiu para abafar e bastava que Serginho o driblasse para ficar com o gol vazio e empatar o jogo. Mas as limitações técnicas do 9 brasileiro eram altíssimas e ele desperdiçou mais uma chance clara no jogo. Ainda na pressão, Cerezo recebeu de Junior e ajeitou para Serginho dentro da pequena área, mas o atacante brasileiro errou a cabeçada e desperdiçou mais uma chance.
O jogo seguiu na mesma toada, até que Junior saiu da lateral para o meio e passou a Falcão na entrada da área. O ídolo colorado recebeu, virou o corpo como se fosse passar para Cerezo (que entrava em velocidade puxando a marcação), mas rapidamente mudou de direção, abrindo um clarão à sua frente. Pé esquerdo na bola, pancada e caixa. Eram 23 do segundo tempo e a vaga era novamente do Brasil.

O terceiro gol: a dificuldade em cortar as bolas aéreas para o lado da área

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Se você já jogou futebol na vida, sabe disso: no escanteio ou falta lateral, o corte ou é para o lado da área ou para a linha de fundo. Para a frente ou para o meio da área, apenas se não tiver jeito, é a última possibilidade em mil. E caso haja necessidade de cortar para a frente da área, é estritamente necessário que tenha alguém do seu time para apanhar a segunda bola ou pelo menos impedir que o adversário pegue essa sobra. Agora reparem na imagem abaixo: escanteio para a Itália, a bola já está viajando. São nove jogadores do Brasil dentro da área mais o Waldir Perez. São cinco italianos. O jogador mais baixo dentro da área era Junior, com 1.72 de altura.

Subiram Sócrates (1.95 de altura) e Oscar (1.85). O corte foi mal feito, para dentro da área. A Itália já sabia dessa tendência da defesa brasileira e deixou um jogador na cabeça da meia lua pronto para a sobra. Nenhum jogador nosso encostou nesse italiano.

A bola caiu nos pés de Tardelli, na entrada da pequena área. Zico, Cerezo e Luizinho chegam atrasados para tentar evitar o chute e a Itália tem nova possibilidade de marcar. Viram o jogo Brasil x Argentina várias vezes, com toda certeza.

Por último, lembram quantos jogadores do Brasil tinham dentro da área na hora que a bola estava viajando, ainda na cobrança de escanteio? Nove. Lembram quantos italianos? Cinco.

Agora vejam a imagem abaixo e digam se existe algo além de defesa mal treinada para explicar por qual motivo Rossi ficou completamente sozinho para cutucar e marcar.

Defesa mal treinada potencializa erros individuais, como o do Junior.

O Brasil teve uma chance de empatar em cabeçada que Zoff salvou em cima da linha e a Itália teve um gol mal anulado pela arbitragem.
A seleção brasileira perdeu o jogo e sua melhor chance de ganhar a Copa do Mundo no período de jejum. Ninguém pode afirmar que o resultado seria diferente com Émerson Leão no gol e alguém como Careca, Reinaldo ou Dinamite como titular da camisa 9. Mas é necessário que digamos algo que a imprensa esportiva em geral ainda tem medo de falar: a Itália jogou melhor que o Brasil e mereceu vencer o jogo e depois a Copa do Mundo. Era um timaço.


Não tive a intenção de denegrir imagem de qualquer um dos jogadores que estavam naquele grupo, até porque a grande maioria dos titulares eu considero como craques da bola, lendas dos gramados. O que procurei demonstrar foi que o excesso de jogadores convocados tirou muito do entrosamento da equipe, especialmente no setor defensivo, local que teve as maiores variações nos dois anos e meio de trabalho. 
As dificuldades nas bolas aéreas defensivas e as saídas sempre pelo meio da defesa, de frente para o gol do Brasil, são outros fatores que complicaram e muito a vida do Brasil na Copa do Mundo e que nos custaram a vitória no primeiro confronto contra um time que não tinha outra opção além de sair para nos vencer e que tinha setor defensivo para sair para jogar contra o Brasil.

Termino com a opinião de Luís Mendes sobre essa equipe e sobre Telê Santana:

luiz mendes

”Eu digo para você que nós perdemos a Copa de 1982 por uma razão muito simples: teimosia. Porque não podia jogar o Serginho Chulapa no lugar do Roberto Dinamite, o Roberto Dinamite ficou sentado no banco. O Roberto Dinamite marcou na carreira 757 gols e o Serginho Chulapa não marcou 300. Mas o técnico achava que era o Serginho Chulapa. Eu, que tinha muita intimidade com o Telê, que eu considero um grande técnico, mas como qualquer comum mortal, não é infalível, eu lhe disse: Para mim, você não pode jogar sem o Batista, não pode jogar sem o Edinho e não pode jogar sem o Roberto Dinamite. Por que o Edinho? Ele tinha muito mais espírito de Copa que o Luisinho, que era um jogador flácido, cheio de enfeite no futebol, mas na defesa, um jogador na defesa jogar aquele futebol de time, de clube, não era para uma seleção, para um campeonato do mundo. O Edinho tinha aquele espírito guerreiro, ele era uma barreira, ele era espetacular, mas ficou de fora. O Roberto Dinamite era goleador, um belo jogador e ficou de fora para jogar o Chulapa e aí nós perdemos a Copa naquele jogo com a Itália, e quem foi o maior responsável pela derrota?
O Telê também deixou o Leão comentando futebol na Rádio Gaúcha, o Leão tinha sido campeão um ano antes no Grêmio, o Grêmio foi campeão brasileiro e ele foi goleiro. Ele convocou Valdir Peres, um dos maiores frangueiros da história do futebol, e deixou o Leão fora do campo, ele ficava ao meu lado nas cabines de imprensa comentando para a Rádio Gaúcha. O lugar dele era lá dentro do campo fazendo a defesa do gol.”

 Fonte: http://www.doentesporfutebol.com.br/2013/04/27/cronica-de-uma-derrota-anunciada-o-brasil-de-1982/

 

 

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