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SELEÇÃO BRASILEIRA: COPA DE 1962 - BI CAMPEÃ
SELEÇÃO BRASILEIRA: COPA DE 1962 - BI CAMPEÃ

 BRASIL BICAMPEÃO - COPA DE 1962

 A Fase Anterior à Copa de 62

O grande terremoto de 1960

O Sismo de Valdivia de 1960, também conhecido como Grande Sismo do Chile, foi o mais violento sismo já registado cientificamente. Ocorreu no dia 22 de maio de 1960, no Chile.

Atingiu todo centro-sul do Chile, incluindo as cidades de Valdivia e Concepción, registrando 9,5 pontos na escala de magnitude de momento, o que o tornou o mais forte já registrado cientificamente na história da Humanidade.

terremoto

Fonte: clubedosentasdecatanduvas.blogspot.com

O sismo foi sentido em diferentes partes da Terra e produziu um tsunami que afetou diversas localidades ao largo do Oceano Pacífico, como Havaí e Japão e a erupção do vulcão Puyehue. Cerca de 5.700 pessoas faleceram e mais de 2 milhões ficaram feridas por causa desta catástrofe. Tsunamis causados pelo tremor causaram 62 mortes no Havaí e 31 nas Filipinas nas horas seguintes, e réplicas do primeiro abalo puderam ser sentidas por mais de um ano. Os estragos chegaram a ameaçar seriamente a realização da Copa do Mundo FIFA de 1962, já programada para ocorrer no país.

O Chile é suscetível a fortes terremotos porque está cortado pela divisão de duas placas tectônicas: a placa de Nazca e a placa Sul-Americana.

terremoto

Fonte: noticias.uol.com.br

O número de vítimas e os prejuízos deste desastre nunca foram conhecidos com precisão. Diversas estimativas quanto ao número total de mortes diretamente associadas ao sismo e tsunamis foram publicadas, com a USGS a citar estudos e números de 2.231, 3.000, ou 5.700 mortes, enquanto outras fontes usam estimativas de 6.000 mortes. Várias fontes estimam o custo monetário entre 400 milhões e 800 milhões de dólares norte-americanos (equivalentes a 2,9 e 5,8 bilhões de dólares aos custos de 2010, corrigidos pelo efeito da inflação). Cerca de 965 pessoas morreram de um a três dias depois do terremoto, por doenças causadas pela sujeira e esgoto a céu aberto, entre outros, ou por hemorragia ocorrida nos ferimentos.

A realização do campeonato naquele país andino esteve seriamente ameaçado de ser suspensa e o torneio transferido para a vizinha Argentina não fosse os notáveis esforços do Comitê Organizador chileno sob o comando de Carlos Dittborn, um brasileiro filho de chilenos que em 1956 já havia surpreendido o mundo ao conseguir fazer do país a sede da Copa, no congresso da Fifa em Lisboa.

terremoto

Carlos Dittborn (lapichanga.pe).

Dittborn usou como argumento a importância da Copa para a reconstrução do país e para a auto-estima dos chilenos. O Chile não apenas organizou o Mundial, como ainda chegou às semifinais, eliminado pelo Brasil por 4 a 2. Dittborn, porém, não viu a consagração de seu trabalho, já que morreu um mês antes do Mundial.


 O formato de disputa foi o mesmo da Copa do Mundo anterior: fase preliminar com 4 grupos de 4 seleções, com posteriores jogos eliminatórios diretos nas quartas de final e semifinais. O Brasil chegou como favorito e confirmou as expectativas com o bicampeonato

 O grande craque húngaro Puskas, que havia disputado a Copa do Mundo de 1954 pela Hungria, defendeu a seleção espanhola. Posteriormente a FIFA tomou providencias para impedir que jogadores disputassem Copas do Mundo por países diferentes.

 A surpresa ficou por conta da desclassificação da França, terceira colocada no mundial da Suécia.

 A história da realização das copas indicava três vitórias européias e três sulamericanas. Nesta copa, entretanto, a crônica esportiva européia depositava muita confiança nas equipes da Europa. Em particular, o Brasil era visto como uma seleção de jogo previsível e táticas ultrapassadas, apesar do futebol vistoso e elegante de seus jogadores. Espanha, Tchecoslováquia, União Soviética, Inglaterra e Itália demonstravam bastante confiança na vitória. A seleção italiana, bicampeã mundial, vinha disposta a conquistar a Taça Jules Rimet em definitivo e levaria o centro avante da seleção brasileira campeã em 1958, Mazola, o qual ficara conhecido na Itália pelo seu verdadeiro nome - Altafini. A Tchecoslováquia também levaria um plantel de jogadores de altíssimo nível, entre os quais o seu goleiro, Schroiff, o qual seria posteriormente eleito o melhor goleiro da copa.

logo

 A seleção brasileira tinha como base o mesmo time que havia conquistado o mundial na Suécia. Mauro reserva de Belini em 1958, seria o titular e capitão do time. Zózimo, também reserva em 1958, ocuparia o lugar de Orlando, que havia se transferido para o Boca Juniors, da Argentina. Embora a preparação física e técnica dos canarinhos iria seguir o mesmo plano de trabalho imposto em 1958 por Paulo Machado de Carvalho, Aimoré Moreira assumiria o lugar de Vicente Feola no comando técnico por recomendação médica (ele teve algumas complicações cardíacas antes da Copa).
Também estaria no Chile uma personagem bastante conhecida ainda hoje pelo torcedor do Brasil: o massagista Mário Américo.

 A fase preparatória que antecedeu a ida ao Chile teve seis jogos da Seleção Brasileira em gramados cariocas (Maracanã) e paulistas (Pacaembu), todos com vitória do escrete nacional: 6 x 0 e 4 x 0 contra o Paraguai, 2 x 1 e 1 x 0 contra Portugal, 3 x 1 e 3 x 1 contra o País de Gales. Embora o time estivesse praticamente definido, havia ainda certa incerteza entre Vavá e Coutinho como centro-avantes, Mauro e Belini na zaga, e Pepe e Zagalo na ponta esquerda. Finalmente, Aimoré Moreira decide por Vavá e Zagalo, além de substituir Belini por Mauro, o qual ainda ganhou o posto de capitão da equipe. Para outras posições, Gilmar era o dono absoluto do gol, Didi e Zito, embora ameaçados por Mengálvio e Zequinha, foram os titulares de Aimoré até o final da competição. Pelé e Garrincha eram os donos absolutos das suas posições, embora tivessem em Amarildo e Jair da Costa dois excelentes reservas.

uniforme

Uniforme oficial da seleção brasileira na copa de 1962.

 Na primeira convocação foram chamados 41 jogadores (23 paulistas, 23 cariocas e 1 gaúcho). Com esse jogadores a seleção seguiu para Campos do Jordão para exames clínicos. Feitos os testes (a qual descobriram que muitos jogadores sofriam de calos) a equipe seguiu para treinar em Nova Friburgo (RJ) e depois Serra Negra (SP). Nesse um mês de treinamento foi decidido os 22 jogadores. Como em 1958, só havia jogadores de clubes paulistas ou cariocas (13 atuavam em São Paulo, 9 no Rio).
Goleiros: Gilmar (Santos) e Castilho (Fluminense).
Laterais: Djalma Santos (Palmeiras), Nílton Santos (Botafogo), Jair Marinho (Fluminense) e Altair (Fluminense).
Zagueiros: Mauro (Santos), Bellini (São Paulo), Zózimo (Bangu) e Jurandir (São Paulo).
Meio-campistas: Zito (Santos), Didi (Botafogo), Zequinha (Palmeiras), Mengálvio (Santos).
Atacantes: Garrincha (Botafogo), Zagallo (Botafogo), Vavá (Palmeiras), Pelé (Santos), Jair da Costa (Portuguesa de Desportos), Coutinho (Santos), Amarildo (Botafogo) e Pepe (Santos).

embarque

Seleção brasileira na sala de espera para o embarque rumo à copa.

 No dia 19 de Maio de 1962 a Seleção fez seu último treino no Brasil, no campo do Fluminense. A partir daí foi recebida por vários políticos que aproveitavam a vantagem de aliarem sua imagem com a da Seleção.
De Brasília rumou para Campinas, onde embarcou para o Chile. Para dar sorte ao Brasil tudo era igual a quatro anos antes. O avião e até mesmo o piloto eram o mesmo. Aliás, a bem da verdade, não foi bem a aeronave que foi encarada como fator de sorte, mas seu comandante, Burgner, considerado sortudo, uma espécie de talismã.
Dr. Paulo exigiu que fosse ele o piloto do DC-8 da Varig, na viagem para o Chile, embora ele fosse funcionário de outra empresa, da Panair do Brasil. Mas deu-se um jeitinho. Ninguém queria ser responsabilizado, nem que indiretamente, por eventual fracasso canarinho na Copa. E foi o comandante Burgner que levou o Brasil para o país andino e que o trouxe de volta, vitorioso, com a Jules Rimet na bagagem pela segunda vez.

embarque

Embarque da seleção para a Copa do Mundo no Chile.
A Seleção ficou na região de Valparaíso, na Ciudad del Sol, nos chalés da pousada de férias El Retiro. No dia 24 de maio, o Brasil realizou um amistoso contra o clube chileno Wanderers. O primeiro tempo era destinado ao titulares, que venceram por 2x1, e o segundo aos reservas, que perderam de 1x0. No dia 27 o último amistoso, contra um time local, o Everton, goleando de 9x1. Na manhã de 30 de Maio, houve a missa na concentração. Nela cada jogador recebeu uma medalha com uma mensagem do papa João XXIII: "Ficarei rezando para que o Brasil consiga repetir o feito de 1958". As 15h daquele dia o Brasil estreava na Copa do Mundo.

concentração

Seleção brasileira na concentração em Val Paraiso.

Violência
A primeira fase da Copa de 1962 foi marcada por jogos truncados, por uma marcação rigorosa e violenta. Preocupado, o Comitê de Arbitragem da Fifa convocou uma reunião de emergência com todos os juízes e bandeirinhas do mundial, para que o jogo bruto fosse reprimido com mais rigor.

Eliminatórias: 56 seleções
Classificados automaticamente: Brasil (último campeão) e Chile (país-sede)

Sede: Chile
Campeão: Brasil - 2º título
Jogos: 32
Gols: 89
Média de gols: 2,78
Público: 776.000
Média de público: 24.250
Artilheiro: Drazen Jerkovic (Iugoslávia) - 5 gols.

 O Brasil na Copa de 1962 no Chile: campeão
6 jogos | 5 vitórias e 1 empate | 14 gols a favor e 5 gols sofridos | saldo de gols +9.

 Primeira fase:
Grupo 1 - 1o URSS, 2o Iugoslávia, 3o Uruguai, 4o Colômbia.
Grupo 2 - 1o Alemanha Ocidental, 2o Chile, 3o Itália, 4o Suíça.
Grupo 3 - 1o Brasil, 2o Tchecoslováquia, 3o Espanha, 4o México.
Grupo 4 - 1o Hungria, 2o Inglaterra, 3o Argentina, 4o Bulgária.

 Quartas-de-final:
Chile 2x1 URSS
Iugoslávia 1x0 Alemanha Ocidental
Tchecoslováquia 1x0 Hungria
Brasil 3x1 Inglaterra

 Semi-finais:
Tchecoslováquia 3x1 Iugoslávia
Brasil 4x2 Chile

3o Lugar
Chile 1x0 Iugoslávia

 Final:
Brasil 3x1 Tchecoslováquia

 2/junho/1962.

delegação

 Delegação Brasileira: Gilmar,Djalma Santos, Mauro, Zito, Zózimo, Nílton Santos, Garrincha, Didi, Coutinho, Pelé, Pepe, Jair Marinho, Bellini, Jurandir, Altair, Zequinha, Mengálvio, Jair da Costa, Vavá, Amarildo, Zagallo, Castilho, Técnico - Aymoré Moreira.

 Ficha dos jogos do Brasil na Copa do Mundo de 1962 no Chile
Primeira Fase:
30/maio/1962
Brasil 2 x 0 México

Amarildo
Local: Estádio Sausalito (Viña del Mar)
Árbitro: Gottfried Dienst (Suíça)
Gols: Zagalo 11, Pelé 27 do 2º tempo.
BRASIL: Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Pelé, Zagalo.
MÉXICO: Carbajal, Del Muro, Cárdenas, Sepúlveda, Villegas; Najera, Jasso; Del Aguilla, Reyes, Hernández, Diaz.

 Na terceira vez que em uma Copa de Mundo que o Brasil enfrentava ao México, somente aos 11 minutos do segundo tempo seria aberto o placar através de Zagalo, que em um mergulho escora cruzamento vindo da direita. Um pouco a seguir, aos 28 minutos, Pelé dribla quatro adversários e chuta forte e rasteiro na saída do goleiro mexicano, definindo a vitória do Brasil por 2 a 0.  O Brasil jogara com Gilmar, Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos; Didi e Zito; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagalo.

Brasil 0 x 0 Tchecoslováquia

didi
Local: Estádio Sausalito (Viña del Mar)
Árbitro: Pierre Schwinte (França)
BRASIL: Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Pelé, Zagalo.
TCHECOSLOVÁQUIA: Schroiff; Lala, Pluskal, Popluhar, Novak; Masopust, Scherer; Stibranyi, Kvasnak, Adamec, Jelinek.

 6/junho/1962
Jogo bastante equilibrado, com destaque para as grandes atuações dos dois goleiros. Esta partida, entretanto, viria a marcar a saída prematura do torneio do genial Pelé: lançado por Djalma Santos, Pelé amortece a pelota e dispara um potente chute de longa distância que vai chocar-se contra o poste direito do goleiro tcheco. Imediatamente, Pelé sente uma grave distensão que o deixaria fora o resto da copa. A equipe brasileira parece sentir a grave contusão de seu grande jogador e a partida encerra-se em um melancólico empate sem gols.
Como naquele tempo não havia substituições durante os jogos, nosso camisa 10 ficou apenas fazendo número na ponta esquerda. Mal podia andar, quanto mais correr atrás da bola e participar de qualquer jogada. Essa contusão seria fatal: tiraria a nossa maior estrela dessa Copa. O Brasil novamente jogara com Gilmar, Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos; Didi e Zito; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagalo.

Brasil 2 x 1 Espanha

djalma
Local: Estádio Sausalito (Viña del Mar)
Árbitro: Sérgio Bustamente (Chile)
Gols: Adelardo 35 do 1º tempo; Amarildo 27 e 40 do 2º.
BRASIL: Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo, Zagalo.
ESPANHA: Araquistain; Rodri, Etchevarria, Pachin, Gracia; Vérges, Peiró; Collar, Adelardo, Puskas, Gento.

Quartas-de-final: 10/junho/1962
Havia grande expectativa para este jogo devido ao inesperado afastamento de Pelé. Em meio às conjecturas da imprensa esportiva mundial, o técnico Aimoré Moreira avaliava as alternativas técnicas e táticas ao escrete nacional: 1) deslocar Vavá para a esquerda e colocar Coutinho em seu lugar; 2) Reforçar o meio de campo, improvisando um quadrado com Didi, Mengálvio, Zito e Zagalo, ficando Vavá e Garrincha no ataque brasileiro e 3) simplesmente escalar o reserva de Pelé, Amarildo. O técnico Aimoré Moreira opta por escalar Amarildo devido à vantagem de não ser necessário mudar o esquema de jogo brasileiro.

Garrincha

Garrincha se preparando para mais um de seus famosos dribles.

 O jogo contra a Espanha mostra um primeiro tempo nervoso, principalmente por parte da equipe brasileira. Aos 34 minutos, Puskas limpa uma jogada e coloca a bola sob medida para Adelardo marcar o gol espanhol. Jogava muito melhor e tudo levava a crer que o segundo gol, que nos mandaria de volta para casa, aconteceria a qualquer momento. Foi quando o “vento” da fortuna começou a soprar a nosso favor.
Nilton Santos derrubou o ponta espanhol, Collar, na grande área: pênalti. Todos esperavam que o árbitro apontasse para a marca da cal. Enquanto Bustamante dava explicações aos espanhóis, que reclamavam em altos brados, o experiente lateral brasileiro deu dois passos à frente e ficou imóvel fora da área. Foi o que bastou para que Bustamante ficasse em dúvida sobre o local exato em que ocorreu a infração. Pelo sim e pelo não, marcou a falta, mas fora do local em que ela havia de fato ocorrido. E sua cobrança não resultou em nada.
O Brasil foi para os vestiários, no intervalo, perdendo e, pior, jogando mal. Os comentaristas defendiam que o time, sem Pelé para desequilibrar, deveria se postar todo na defesa para não levar mais nenhum gol. Se o jogo terminasse daquela forma, a Seleção estaria classificada, mesmo com derrota.
O que ninguém acreditava e muito menos esperava que acontecesse (confesso que duvidava de uma reação brasileira àquela altura), aconteceu, como que num milagre. A Espanha iria se manter à frente do marcador, em um domínio merecido da partida, até os trinta e oito minutos do segundo tempo: Amarildo penetra na área espanhola e arremata com violência um cruzamento de Zagalo, naquele que seria o gol de empate e o início da virada brasileira.  

Garrincha

Os espanhóis vieram para cima. Atacaram, atacaram e atacaram, em vão. Aos 40 minutos do segundo tempo aconteceu o que nem o mais otimista dos otimistas poderia prever: a virada brasileira. E a vitória surgiu dos pés do substituto de Pelé. Sim, foi ele mesmo o herói, Amarildo, “O Possesso”. Foi ali, naquele jogo dramático e aparentemente perdido que o Brasil começou a ganhar o bicampeonato.
Orlando Duarte narra em seu livro um fato revelador sobre o herói desse dia: “Quando Amarildo entrou no time brasileiro para o jogo contra a Espanha, substituindo Pelé, com a camisa 20 (não havia substituições durante os jogos) um jornalista disse-me: ‘Amarildo tem a 20, que vale por duas de 10’. Deu certo, apesar de Pelé ter sido o ganhador do jogo com o México”. Sorte, quase sempre, tem aquele que a merece. E o Brasil mereceu, por tudo o que viria a fazer na sequência.

Brasil 3 x 1 Inglaterra

gilmar
Local: Estádio Sausalito (Viña del Mar)
Árbitro: Pierre Schwinte (França)
Gols: Garrincha 32, Hitchens 38 do 1º tempo; Vavá 8, Garrincha 14 do 2º.
BRASIL: Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo, Zagalo.
INGLATERRA: Springett; Armfield, Moore, Wilson, Flowers; Norman, Haynes; Douglas, Greaves, Hitchens, Bobby Charlton

 Após ter eliminado a Argentina por 3 a 1, a Inglaterra enfrentava o Brasil com grande otimismo, principalmente devido à ausência de Pelé. Entretanto, os ingleses não contavam com aquele jogador de pernas tortas vindo de Pau Grande, Mané Garrincha. Passados os momentos iniciais, a Seleção Brasileira foi gradualmente impondo o domínio da partida. A defesa inglesa era incapaz de parar Garrincha, o qual foi o melhor dos 22 jogadores em campo.

Aproveitando que Flowers andara dizendo que sabia como parar Garrincha, Nilton Santos aumentou a história. Apostando na ingenuidade de Garrincha, ele se aproximou do companheiro na concentração e garantiu: “O número 6 deles anda dizendo que tu é veado, Mané”.

Indignado, Garrincha fez um pedido ao amigo: “Quando a gente entrar no campo você me mostra ele?” Depois de muitos anos, Flowers, que foi campeão do mundo pela Inglaterra em 1966, lançou um livro chamado “World Cup 1962”, narrando o surgimento do grande time que deu ao país o único título mundial, quatro anos depois, jogando em casa.

No seu relato do jogo contra o Brasil, Flowers revela: “Não entendia porque Garrincha vinha sempre para cima de mim, quando pegava a bola”. Naquele 10 de junho de 1962, Garrincha acabou com o jogo no Estádio Sausalito. Além de marcar dois gols na vitória brasileira por 3 x 1, ele deu dribles desmoralizantes, principalmente em Flowers.

Aos 31 minutos do primeiro tempo, Zagalo cobra um escanteio e Garrincha, apesar de ser mais baixo que a zaga adversária, sobe mais alto e cabeceia para dentro das redes inglesas abrindo o placar. Aos 39 minutos, no entanto, a Inglaterra iguala o marcado após um chute de uma bola rebatida na trave superior de Gilmar. Aos 8 minutos do segundo tempo, Garrincha cobra violentamente uma falta na entrada da área inglesa de encontro à barreira e, na rebatida, Vavá escora de cabeça o segundo gol brasileiro. Aos 15 minutos do período complementar, Garrincha, que havia se deslocado para o centro, dribla dois adversários e bate de fora da grande área uma bola curva no ângulo superior esquerdo da trave inglesa. Após o jogo, a imprensa elegia um novo rei do futebol: Mané Garrincha. O Brasil jogara com Gilmar, Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos; Didi e Zito; Garrincha, Vavá, Amarildo e Zagalo.

Semifinal: 13/junho/1962
Brasil 4 x 2 Chile

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Local: Estádio Nacional (Santiago)
Árbitro: Arturo Yamazaki (Peru)
Gols: Garrincha 9 e 32, Toro 41 do 1º tempo; Vavá 3, Leonel Sánchez (pen.) 16, Vavá 32 do 2º.
BRASIL: Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo, Zagalo.
CHILE: Escutti; Eyzaguirre, Contreras, Raul Sánchez, Rojas; Rodrigues, Tobar; Ramírez, Toro, Landa, Leonel Sánchez.

 Os "olheiros" da delegação brasileira descobriram um plano dos chilenos para pertubar o time do Brasil na chegada da seleção à capital Santiago.
Seguindo o plano traçado pelo chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho, a seleção viajou de trem, evitou comer as refeições oferecidas a bordo, preferindo os sanduíches comprados em Viña del Mar.
Os jogadores desceram duas estações antes do destino final, seguindo de ônibus diretamente para o estádio Nacional, driblando a multidão que foi à estação de trem para hostilizar os brasileiros.

chile

Didi, Garrincha e Zagalo em lance no jogo contra o Chile.

 O jogo semi-final contra a equipe chilena mostrara um domínio territorial e tático da Seleção Brasileira. Novamente, o principal fator da vitória brasileira estaria nos pés e na cabeça de Garrincha, o qual liquidou com a defesa adversária. De fato, Garrincha mostrava uma vontade de ganhar a partida como nenhum outro jogador em campo. Logo aos 9 minutos de jogo, Mané recebe uma bola fora da grande área e de pé canhoto desfere um potente chute pelo alto que vai morrer nas redes chilenas: Brasil 1 x 0.

 Estimulados pela torcida local, os chilenos não desanimam e buscam o gol de empate. Começa a ficar evidente no decorrer da partida, entretanto, que o Brasil enfrentava dois adversários: a equipe chilena e o árbitro peruano Arturo Yamazaki, o qual claramente e parcialmente favorece o time da casa. Mas é Garrincha que novamente altera o placar em favor do Brasil ao escorar certeira cabeçada em cruzamento de Zagalo. Ao final do primeiro tempo, quando a silenciosa torcida chilena parecia conformar-se com o resultado, o Chile marca o seu primeiro gol após cobrança de falta violenta no ângulo superior da meta de Gilmar.

nilton

 Logo aos 4 minutos da etapa complementar, Vavá cabeceia de cima para baixo um cruzamento perfeito de Garrincha e balança novamente as redes chilenas, fazendo Brasil 3 x 1. O jogo prossegue sob amplo domínio brasileiro contra um adversário nervoso e atuando na base do desespero e do favorecimento do árbitro peruano, o qual viria a marcar um pênalti contra o Brasil, convertido pelo atacante chileno. Apesar disto, a equipe canarinho mantinha-se tranquila em campo, consciente de seu controle sobre partida. Tal era o seu domínio, que Zagalo viria ainda a construir o quarto gol brasileiro, ao cruzar da extrema esquerda para Vavá cabecear a pelota novamente para dentro da meta chilena e fechar o placar final de 4 a 2. Quase no final do jogo, depois de apanhar muito do lateral Rojas, sob o acovardado olhar do peruano Arturo Yamazaki, e de levar uma cusparada do chileno, nosso capitão não se conteve. Partiu para o revide e acertou um pontapé no seu ofensor.
 
Na verdade, não foi um chute, mas algo como uma cutucada no traseiro do jogador chilenho, com a ponta da chuteira, mas que o assistente uruguaio Esteban Marino viu e "dedurou" para o juíz. O árbitro peruano Arturo Yamasaki expulsou Garrincha, que ainda levou na saída uma pedrada de um torcedor. O Brasil jogara com Gilmar, Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos; Didi e Zito; Garrincha, Vavá, Amarildo e Zagalo.  

Final: 17/junho/1962
Brasil 3 x 1 Tchecoslováquia

vavá
Local: Estádio Nacional (Santiago)
Árbitro: Nicolai Latishev (URSS)
Gols: Masopust 15, Amarildo 16 do 1º tempo; Zito 24, Vavá 33 do 2º.
BRASIL: Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo, Zagalo.
TCHECOSLOVÁQUIA: Schroiff; Tichy, Pluskal, Popluhar, Novak; Masopust, Scherer; Pospichal, Kadraba, Kvasnak, Jelinek.

 Para muitos, este é considerado o jogo mais bonito de todo o campeonato, onde ambas as equipes exibiram alto padrão técnico e futebol veloz. Os tchecos iniciam dominando a partida e jogando melhor os primeiros quinze minutos, quando um chute forte e rasteiro vence o goleiro Gilmar e abre o placar em favor da Tchecoslováquia. O placar desfavorável motiva a reação brasileira e, passados 3 minutos do gol tcheco, Amarildo é lançado na esquerda, passa dois adversários e com muita classe e raça chuta sem ângulo para empatar a partida. O primeiro tempo termina com o placar de 1 x 1, com Garrincha, que até então vinha sendo o melhor jogador da copa, apático devido, provavelmente, a uma forte gripe contraída antes da partida.

 No segundo tempo, Amarildo, que vinha se destacando na partida, mostra melhor jogo ainda. Aos quinze minutos, passa por um zagueiro adversário com um drible seco e centra na direção de Zito, que penetra na área tcheca e cabeceia para dentro do gol. O jogo então prossegue com Didi e Zito comandando as jogadas pela esquerda em busca de Amarildo, o qual, com Zagalo jogando recuado, tem bastante liberdade de movimentação tanto pela ponta como pelo meio. Aos trinta e dois minutos, Djalma santos já na altura da intermediária tcheca, chuta uma bola para o alto em direção à área adversária. Vavá aproveita a rebatida do goleiro tcheco, o qual estava muito à frente do gol, e manda o balão para o fundo das redes. O Brasil sela definitivamente a vitória e a conquista do bicampeonato mundial de futebol, estabelecendo mais uma vez a hegemonia do futebol nacional.

zagalo

Admitam ou não, para mim, a seleção da Checoslováquia tremeu diante dos brasileiros. Tanto isso é verdade, que seu goleiro, Schroif, até então considerado o melhor da Copa, foi culpado por dois dos três gols do Brasil. Azar dele!
A experiência do nosso grupo contou, e contou muito para a conquista de um Mundial que tínhamos tudo para perder. Nossos craques, além de jogarem bola, ainda souberam se esquivar das pancadas dos adversários. A Copa de 1962 foi violentíssima, talvez a mais violenta da história. As arbitragens foram calamitosas, com os árbitros fazendo vistas grossas sobretudo à violência.
É certo que, involuntariamente, dois erros decisivos de arbitragem dos homens de preto com apito na boca nos beneficiaram. Mas o futebol brasileiro provou, aos que ainda duvidavam que fosse o melhor, que sabia aliar ao malabarismo de seus jogadores, à sua técnica e habilidade invejáveis, um espírito competitivo que poucos tinham e que o tornou imbatível, pelo menos naquela ocasião.

 As atuações sensacionais de Garrincha não deixaram que o Brasil sentisse falta do rei Pelé. A artilharia do mundial de 62 ficou com o iugoslavo Jerkovic, com 5 gols.
A Copa do Chile foi marcada pela introdução do chamado futebol-força jogado pelos europeus que, através do preparo físico esmerado, nivelava por baixo os jogadores.
Dois jogadores tiveram a perna quebrada e seis foram expulsos durante o torneio, tendo sido marcadas oito penalidades máximas.
O jogo bruto dava uma idéia do que seria a próxima Copa do Mundo a ser disputada na Inglaterra, em 1966.

Brasil campeão

Brasil, campeão de 1962.

  Curiosidades da Copa do Mundo 1962

 Antes de disputar a semi-final contra o Chile os brasileiros tomaram todas as providências de segurança, as quais incluíam preparar a própria comida com medo de sabotagem na alimentação do hotel. Coube ao dentista da equipe brasileira, Mário Trigo, comprar todos os ingredientes para preparar os sanduíches que alimentaram os brasileiros.

 As Copas atravessaram as transformações políticas e culturais dos anos 60. O mundo vivia a divisão dos mega-blocos, Guerra Fria e do Vietnã, revoluções culturais, países latino-americanos sob a tutela dos regimes militares em nome da democracia.

 No Chile em 1962, o Brasil conquistava o bi ao vencer os tcheco-eslovacos na final. A estrela de Pelé não brilhou, machucado no primeiro jogo, mas o Brasil contou com Didi, Djalma e Nilton Santos, Vavá, Zito e Garrincha, um dos artilheiros da competição e melhor jogador da Copa. Recusado por vários clubes até ser aceito e brilhar no Botafogo e na seleção. Com Garrincha, o time canarinho só perdeu uma vez em 60 jogos. Com Garrincha e Pelé, o Brasil não perdeu nenhum jogo.

selo comemorativo

Selo comemorativo da conquista da Copa do Mundo de 1962, assinado por todos os craques brasileiros.

GOL OLÍMPICO
Em 3 de junho, no empate por 4 a 4 entre Colômbia e União Soviética, pela primeira fase, o atacante colombaino Coll marcou, aos 23 minutos do segundo tempo, aquele que é considerado o único gol olímpico da história da Copa do Mundo. O feito se torna mais importante quando se leva em consideração que o goleiro soviético era ninguém menos que o lendário Yashin, que tinha o apelido de Aranha Negra e, até hoje, é considerado um dos melhores da posição em todos os tempos. A partir de 1994, o melhor goleiro de cada Mundial recebe um troféu que leva seu nome.
ESTRANGEIROS
Na Copa do Mundo do Chile a FIFA permitiu, pela última vez, que jogadores que já tinham defendido uma seleção na competição a disputassem por outro país. Em 1962, encerraram esse capítulo na história dos Mundiais três grandes craques. O brasileiro João José Altafini, o Mazola, que tinha sido campeão com o Brasil em 1958, na Suécia, defendeu a Itália. O grande craque da seleção húngara de 1954, Puskas, jogou pela Espanha, assim como o atacante uruguaio Santamaría, que tinha jogado oito anos antes, na Suíça, pela Celeste Olímpica.

zito
ARTILHARIA
A artilharia da Copa do Mundo de 1962 foi alvo de uma grande polêmica. A FIFA considerava que seis jogadores divididam essa condição. Eram eles Garrincha e Vavá (Brasil), Albert (Hungria), Ivanov (União Soviética), Sánchez (Chile) e Jerkovic (Iugoslávia). Mas, na verdade, o iugoslavo Jerkovic foi o artilheiro do Mundial do Chile. Na goleada de 5 a 0 da sua seleção sobre a Colômbia, em 7 de junho, em Arica, ele marcou três gols, mas por muito tempo um deles foi creditadop ao seu companheiro Galic. A própria FIFA reconheceu o erro.
CONTUSÕES
A intenção do técnico Aymoré Moreira era escalar no Chile o ataque do Santos reforçado pelo botafoguense Garrincha. O grande ponta direita, inscrito com a camisa 7, teria como companheiros no setor Coutinho (9), Pelé (10) e Pepe (11). Mas o destino mudou tudo. Pouco antes do Mundial, Coutinho e Pepe se machucaram, dando lugar a Vavá, que era do Palmeiras, e Zagallo, do Botafogo, respectivamente. Na segunda partida da Seleção Brasileira, Pelé sofreu uma contusão muscular e ficou fora da competição. Seu substituto foi Amarildo, do Botafogo, com o time carioca assumindo no lugar do Santos o privilégio de ter três dos quatro atacantes titulares do Brasil na Copa de 1962.

Mauro e a taça

Mauro, capitão e substituto de Belini, ergue a taça do bi.

 A seleção brasileira utilizou apenas 12 jogadores em sua campanha vitoriosa no Chile, um recorde mínimo até hoje.

  • Campeão do mundo em 1958, boa parte do elenco seleção brasileira se manteve quatro anos depois no Chile e tornou-se o grupo mais velho a vencer um Mundial.
  • Não bastasse a derrota para o Brasil, Jimmy Greaves, jogador da Inglaterra, teve que correr pelo campo atrás de um cão que urinou em seu uniforme durante o jogo pelas quartas de final.
  • Três argentinos defenderam outras seleções na Copa de 1962: Di Stefano jogou pela Espanha, Sivori pela Itália e Pedernera treinou a Colômbia.
  • Em 1962, além dos argentinos, Puskás, que já havia defendido a Hungria na Copa de 1954, jogou pela Espanha, e Mazzolla, que atuou pelo Brasil em 1958, vestiu a camisa da Itália - lá, onde comenta jogos até hoje, era conhecido como Altafini.
  • O atacante Vavá tornou-se no Chile o primeiro jogador a marcar gols em duas decisões seguidas de Copa: fez dois em 58 contra a Suécia e um contra a Tchecoslováquia em 62.
  • Campeão em 1962, o técnico Aymoré Moreira foi o primeiro ex-jogador – era goleiro - a assumir o cargo de treinador da seleção brasileira.
  • Os jornalistas brasileiros foram obrigados a trabalhar no resto da Copa com a roupa usada na vitória do Brasil na estreia contra o México. Quem mudasse uma peça era impedido pelos companheiros de entrar.

comemorações

Cariocas festejam a conquista do bi campeonato brasileiro.

  Comissão Técnica

 Paulo Machado de CarvalhoChefe:

  • Supervisor: Carlos Nascimento
  • Assistente de Supervisão: Vicente Feola
  • Técnico: Aimoré Moreira
  • Médico: Hilton Gosling
  • Preparador Físico: Paulo Amaral
  • Observador: Ernesto Santos
  • Massagista: Mário Américo
  • Roupeiro: Francisco de Assis
  • O bicampeonato foi saudado com carnaval nas ruas de Santiago, festa em Lisboa, elogios nos jornais de todo o mundo e mensagens de felicitações do Presidente Kennedy, dos Estados Unidos. O Brasil parou por um dia para festejar a técnica e genialidade de uma de suas melhores seleções . No Rio, a população saiu às ruas para receber seus ídolos que desfilavam com o desejado troféu, no dia seguinte à vitória.
    Enquanto o capitão Mauro ainda erguia a taça Jules Rimet sobre a cabeça, comemorando a vitória, o JB já rodava em suas oficinas uma edição extra sobre a Copa com a imagem de Zito, transmitida por radiofoto, marcando de cabeça o segundo gol da Seleção. O Extra JB, que teve tiragem de mais de 270 mil exemplares, foi editado em tempo recorde, chegando à frente dos outros jornais nas bancas de todo o país.
  • A edição Extra do JB começou a ser preparada três dias antes da partida final e, no domingo, suas dez páginas já estavam prontas, contando inclusive com retrospectiva de todos os jogos da Copa. À medida que transcorria o jogo decisivo, três redatores do JB, à escuta no rádio, davam aos lances a linguagem jornalística e a matéria ia sendo passada para a oficina, de cinco em cinco minutos. Ao soar do apito final, em Santiago, as principais páginas da Extra já estavam prontas. Até o final do dia, todos os exemplares esgotaram.
  • JB
  • Edição Extra do JB conta a vitória do Brasil na Copa do Mundo de 1962.

  Tema Musical Brasileiro da Copa do Mundo 1962

 Bi Campeão Mundial

 (Teddy Vieira - Zé Carreiro)

 A seleção canarinho brilhou lá no estrangeiro
Mostrou a classe e o valor do futebol brasileiro
Conquistou o bi campeão nem um tento eles perderam
Trouxeram a taça de volta pra terra que eles nasceram.
Brasil com os mexicanos primeiro a ser disputado
Perderam de dois a zero choraram se derrotado
Brasil e Checoslováquia o jogo ficou empatado
E os dois quadros perderam um ponto pra cada lado.
Brasil jogou com a Espanha que o primeiro gol marcaram
A nossa turma reagiu até o fim triunfaram
Brasil jogou com a Inglaterra que o futebol inventaram
A taça campeã mundial os ingleses nunca levaram.
Chilenos entraram no campo todos gritaram olé
Ontem nos tomamos vodca hoje nos toma café
Vamos vencer o Brasil com Pelé ou sem Pelé
Desta vez dançaram o samba na cadência do Mané.
Brasil e Checoslováquia para a disputa final
Contavam que eles venciam a seleção nacional
Aplicaram o tal ferrolho e saíram muito mal
Brasil conquistou invicto o bi campeão mundial.
Viva Aimoré Moreira viva Vicente Fiola
Viva os craques brasileiros e o marechal da vitória
Viva Amarildo e Garrincha e o Pelé que é o rei da bola
Brasil é campeão do mundo nós somos campeões da viola.

 Fontes pesquisadas:

http://www.netvasco.com.br/mauroprais/futbr/copa_62.html

 http://fotolog.terra.com.br/selecaobrasileira_cbf:4

 Imagens retrôs: http://www.anosdourados.net.br/selecao/sel62revista.htm

mochileiro.tur.br/copa-1962.htm

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2002/020326_copa62.shtml

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sismo_de_Valdivia_de_1960.

http://pedrobondaczuk.blogspot.com.br.

expulsão.

Após "revidar" uma agressão, Garincha é expulso de campo.

Briga nos bastidores para Garrincha jogar a final

A presença de Garrincha na decisão do título foi conquistada nos bastidores. Na partida semifinal conta o Chile, o clima de guerra acabou contagiando o craque brasileiro. Quando a partida já estava decidida, aos 38 do segundo tempo, com o Brasil vencendo por 4 x 2, o camisa 7 brasileiro, depois de agredido por um jogador chileno, deu um pequeno chute no traseiro do adversário e acabou sendo expulso pelo árbitro peruano Arturo Yamasaki, após denúncia do assistente uruguaio Esteban Marino.

A final da Copa do Mundo sem Garrincha era uma coisa que não agradava a ninguém, exceto os tchecos. Por isso foi armado um forte esquema de bastidores para garantir a presença do camisa 7 na decisão do título. O presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), João Havelange, conseguiu convencer o assistente uruguaio a deixar o Chile antes da decisão da Copa do Mundo.

No momento do julgamento, a única testemunha que viu Garrincha “agredir” o jogador chileno era Marino, que já estava em Montevidéu. Além disso, houve um providencial atraso na entrega da súmula de Yamasaki para que o julgamento fosse realizado apenas quando o assistente uruguaio estivesse em casa.

No livro “Enciclopédia da Seleção Brasileira”, o autor Ivan Soter, revela que até o primeiro ministro do Brasil na época, o mineiro Tancredo Neves, intercedeu para que Garrincha pudesse disputar a final.

Apesar de tudo isso, Garrincha não jogou nem um décimo do que costumava jogar, por estar com gripe e febre de quase 39 graus.

zozimo

O jogo foi disputado em 17 de junho de 1962, num Estádio Nacional de Santiago lotado, com a presença de 68 mil pessoas. Os chilenos, mesmo eliminados dias antes justamente pelo Brasil, penderam para o nosso lado. Assim, a Seleção jogaria como se estivesse no Maracanã.
Tão logo o árbitro russo, Nikolai Latishev, adentrou o gramado, tive a intuição de que, com ou sem Garrincha, aquele grupo, maduro e experiente saberia se virar e não deixaria escapar um título que estava tão ao seu alcance. E não deixou.
Minha primeira surpresa positiva ocorreria logo na entrada das duas equipes em campo. Garrincha estava lá e iria, portanto, para o jogo. Todavia, aos 14 minutos do primeiro tempo, viria outra surpresa que era como jogar um balde de gelo no fervura. Os checos abriram o placar com seu principal jogador, Masopust.
Mais esta! Fiquei louco da vida, não somente com a iminência de uma catástrofe, mas porque metade dos colegas presentes no estúdio festejou o gol adversário como se fosse do Brasil. Não entendo a mentalidade de certas pessoas. Era o complexo de vira-latas mais latente do que nunca.
Mas, para o desgosto dos derrotistas de plantão, as coisas não tardaram a mudar. Apenas dois minutos depois do gol checo, Amarildo empataria a partida. E o primeiro tempo terminou sem vantagem para ninguém, ou seja, em 1 a 1.
No segundo período, Zito, aos 25 minutos, e Vavá (sempre ele) aos 34, se encarregariam de despachar de vez os adversários e calar os pessimistas de plantão. Imaginem o barulho que fiz e as gozações que aprontei para cima dos checos de mentirinha!
Admitam ou não, para mim, a seleção da Checoslováquia tremeu diante dos brasileiros. Tanto isso é verdade, que seu goleiro, Schroif, até então considerado o melhor da Copa, foi culpado por dois dos três gols do Brasil. Azar dele!
A experiência do nosso grupo contou, e contou muito para a conquista de um Mundial que tínhamos tudo para perder. Nossos craques, além de jogarem bola, ainda souberam se esquivar das pancadas dos adversários. A Copa de 1962 foi violentíssima, talvez a mais violenta da história. As arbitragens foram calamitosas, com os árbitros fazendo vistas grossas, sobretudo à violência.
É certo que, involuntariamente, dois erros decisivos de arbitragem dos homens de preto com apito na boca nos beneficiaram. Mas o futebol brasileiro provou, aos que ainda duvidavam que fosse o melhor, que sabia aliar ao malabarismo de seus jogadores, à sua técnica e habilidade invejáveis, um espírito competitivo que poucos tinham e que o tornou imbatível, pelo menos naquela ocasião.

 

 

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