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SELEÇÃO BRASILEIRA: COPA DE 1958 - CAMPEÃ!
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A Copa do Mundo de 1958 - Prelúdio

Recuperar-se do fracasso, vexame mesmo, da Copa de 1954: essa era a missão sagrada da seleção brasileira para a atual Copa. A humilhação de ter sido eliminada, naquele ano, ainda nas quartas-de-final, pela máquina húngara, por 4 x 2, ainda estava na memória de todos os brasileiros, muitos temendo a repetição do fato, principalmente quando se soube que o time brasileiro caíra na chave onde se encontravam as seleções mais fortes da competição, principalmente a União Soviética e a Inglaterra. De qualquer forma, a situação não era desesperadora, porquanto, nessa Copa de 1958, ao contrário do que acontecera nas duas últimas anteriores (em 1950, o Brasil e em 1954, a Hungria), efetivamente, não havia uma seleção considerada absolutamente favorita, tudo podendo acontecer. Assim, caberia ao Brasil confiar em seus jogadores e enfrentar de igual para igual seus adversários.

O temor da torcida brasileira se justificava pelo fraco desempenho que a seleção brasileira alcançara quando de uma excursão à Europa, em 1956, à guisa de preparação para a copa da Suécia, a primeira em que uma comissão técnica observaria, de forma a mais objetiva possível, o comportamento profissional e emocional dos jogadores. Segundo o jornalista João Máximo (Cadernos de História, jornal O Globo, 2000, p. 490-491), relatório produzido por essa comissão chegou à seguinte constatação com conotações racistas:

“O jogador brasileiro era imaturo, emocionalmente vulnerável, inseguro. Numa palavra, ‘amarelava’. O relatório apontava, eufemisticamente, para certas características raciais que nos faziam sofrer mais que um anglo-saxão, um gaulês, um nórdico ou um tedesco, terríves saudades de casa, a nostalgia profunda, o banzo. Não foi por outro motivo que a seleção brasileira estreou em Gotemburgo com um time tão branco quanto possível”.

A estréia da seleção (08.04.1956) até que foi razoável; sob o comando de Flávio Costa (até então técnico do Vasco da Gama), colocando em campo os jogadores Gilmar (Corinthians), Djalma Santos (Portuguesa de Desportos), De Sordi (São Paulo), Pavão (Flamengo); Roberto Belangero, (Corinthians), Zózimo (Bangu), Nílton Santos (Botafogo), Didi (Botafogo), Sabará (Vasco da Gama), Walter (Vasco da Gama), Gino (São Paulo), Canhoteiro (São Paulo) e Escurinho (Fluminense), o time ganhou da seleção portuguesa pelo placar de 1 x 0, gol de Gino.

Uma boa estréia para um time em observação. Só que, três dias depois (11.04.1956), o time empataria em 1 x 1 com a fraca seleção da Suíça, utilizando basicamente os mesmos jogadores, à exceção da entrada de Paulinho (Flamengo) e Evaristo (também do Flamengo), o craque Canhoteiro e Pavão ficando de fora. O gol brasileiro foi, mais uma vez, de Gino, tendo De Sordi marcado gol contra. Esse mau resultado foi compensado por mais uma vitória, quatro dias depois (15.04.1956), contra a Áustria pelo placar de 3 x 2, gols brasileiros de Gino, Zózimo e Didi. Desta feita, entram no time Dequinha, do Flamengo, Álvaro (Santos) e, novamente, Canhoteiro, saindo Sabará e Walter, ambos do Vasco da Gama. Nova decepção aguardava a seleção, porém; no dia 21.04.1956, empata com a seleção da Tchecoslováquia por 0 x 0, os jogadores da linha não conseguindo se entender em campo. Todos os jogadores acima citados, à exceção novamente de Pavão e Sabará, jogaram, mostrando um futebol feio e sem concatenação. A torcida brasileira, compreensivamente, começou a recear que tudo de ruim aconteceria novamente.

amistoso

Seleção brasileira de 1958, amistoso; 0 x 0 contra a Tchecoeslováquia.

E como para confirmar os pressentimentos de muitos no Brasil, o primeiro desastre veio no jogo seguinte, acontecido em 25 de abril de 1956: o Brasil sofre uma contundente derrota por 3 x 0 para a seleção da Itália, sendo, na verdade, humilhada em campo. A seleção brasileira colocou em campo Gilmar, Djalma Santos, De Sordi, Zózimo, Nilton Santos, Dequinha, Didi, Paulinho, Walter, Gino, Escurinho e um novato, Larry, do Internacional de Porto Alegre. De Sordi, novamente, marcaria um gol contra sua própria seleção. De qualquer forma, essa derrota foi compensada pela vitória de 1 x 0, em 01.05.1956, sobre a fraquíssima seleção da Turquia, gol do lateral Djalma Santos. Esse jogo marcaria a volta do beque Pavão ao time, com a barração definitiva, nessa excursão, de De Sordi. Sabará também volta ao time.
O teste definitivo viria logo a seguir, no último jogo da seleção brasileira: enfrentar a fortíssima equipe da Inglaterra, em um jogo que marcaria a despedida dos gramados do lendário atacante Stanley Matthews. Desta feita, Flávio Costa não faria nenhuma modificação no time, composto por Gilmar, Djalma Santos e Pavão; Dequinha, Zózimo e Nilton Santos. A linha contou com Paulinho, Gino, Álvaro, Didi e Canhoteiro. Frente a um adversário muito mais bem preparado, o time brasileiro tremeu nas bases sofrendo uma severa derrota pelo abusivo placar de 4 x 2, resultado esse que sepultou as chances de Flávio Costa de ser o técnico da Copa do Mundo.

wembley

Na despedida do jogador inglês Stanley Matthews, o Brasil foi goleado por 4 x 2 pela seleção da Inglaterra.

A seleção brasileira voltou ao Brasil, literalmente, com os rabos entre as pernas. Poucos meses depois, a Inglaterra perderia vários de seus jogadores em um acidente de avião em que morreu grande parte do time que jogou contra o Brasil.

Após a volta, houve uma procura intensa para um técnico definitivo para a seleção brasileira. Flávio Costa era uma carta definitivamente fora do baralho. A princípio, pensava-se que Osvaldo Brandão seria efetivado como o técnico da seleção. Entretanto, em virtude das derrotas sofridas pelo Brasil frente ao Uruguai por 3 x 2 e frente à Argentina por 3 x 0 no Campeonato Sul-Americano, suas pretensões foram sepultadas. Falava-se também em Fleitas Solich, técnico do Flamengo, tri-campeão nos anos de 1953, 1954 e 1955, em Martim Francisco, técnico do Vasco da Gama (famoso por ter adotado a técnica inovadora 4-2-4 no futebol brasileiro) e Zezé Moreira que, comentou-se, convidado, não aceitou o cargo, talvez traumatizado pela horrível experiência de 54.

De qualquer forma, Osvaldo Brandão foi o técnico da seleção nas eliminatórias à Copa de 1958 contra o Peru, acontecidas em maio de 1957.

O. Brandão

Osvaldo Brandão.

O time base, bastante modificado, era formado por Gilmar (Corinthians), Djalma Santos (Portuguesa de Desporto) e Bellini (Vasco da Gama); Roberto Belangero (Corinthians), Zózimo (Bangu) e Nilton Santos (Botafogo); Joel (Flamengo), Didi (Botafogo), Evaristo (Flamengo), Índio (Flamengo) e Garrincha (Botafogo). Entretanto, não obstante a fraqueza do adversário, o Brasil só conseguiu empatar em 1 x 1 no jogo em Lima (gol de Índio) e ganhar, em atuação medíocre, de 1 x 0 no jogo de volta no Maracanã, com um famoso gol do mestre Didi, inventor de uma nova maneira de bater falta, a “folha seca”, que, quase sempre pegava os goleiros de surpresa. Apesar da classificação, o medo de um fracasso rondava a torcida brasileira.

folha seca

Didi marca mais um de seus famosos gols, numa jogada conhecida como "folha seca".

Até que João Havelange, no início de 1958, toma posse da Confederação Brasileira de Desportos. Logo nas primeiras semanas após assumir, o “Cartola” saiu em busca de um nome definitivo para comandar a seleção. Apesar das aparências, não estava se mostrando fácil a escolha de um técnico que agradasse à torcida e aos seus assessores, dentre os quais, o mais poderoso era Paulo Machado de Carvalho, autor de um plano de trabalho para o comandante da CDB, que, em síntese, criava uma Comissão Técnica, formada, além de um chefe e um supervisor, por uma equipe médica, um psicólogo (João Cavalhares, famoso por ter considerado Garrincha inadequado para integrar a seleção brasileira por ser psicologicamente imaturo) e até um dentista (Mário Trigo), uma coisa inovadora à época, idéia essa que chegou a ser ridicularizada por parte de alguns comentaristas esportivos, que a viam como um evidente exagero, os quais, depois, tiveram que engolir a seco seus sarcásticos comentários. Era o profissionalismo substituindo, definitivamente, o amadorismo na seleção brasileira.

J. Havelange

Paulo Machado, contando também com o auxíllio de Flávio Iazetti, Paulo Buarque e Art Silva, na realidade, já apresentara, ainda em 1957, seu plano à antiga diretoria CBD, então encabeçada por Sílvio Pacheco, sem muito sucesso. Somente com a posse de João Havelange, mais novo e com idéias de modernizar a estrutura da CDB, o plano foi assumido. A referida Comissão, de que fazia parte o próprio Paulo Machado, Carlos Nascimento, o Médico Hilton Gosling e José de Almeida, logo escolhem o nome do técnico: seria Vicente Feola, até então técnico do São Paulo. A essa altura já um veterano técnico (tinha 49 anos, com aparência de 60), Feola granjeara a fama de ser um treinador razoavelmente competente, educado e amigo de seus jogadores. As principais restrições a ele partiam da imprensa carioca, que não o viam como um técnico competente, cujo principal currículo fora o de auxiliar de Flávio Costa na malfadada Copa de 1950.

Vicente Feola logo teria seu teste de fogo: ganhar a taça Oswaldo Cruz, jogando contra o Paraguai. A primeira partida (04.05.1958) foi mais fácil do que se esperava; realizada no Maracanã, o time do Brasil, formado por Gilmar, De Sordi e Bellini (beque central do Vasco da Gama, novo titular da posição), Zózimo, Oreco (lateral esquerdo do Corinthians), Dino Sani (São Paulo), Didi, Joel (novo titular da ponta direita), Vavá (centro-avante revelação do Vasco da Gama), Dida (revelação do Flamengo), Pelé (do Santos, com apenas 17 anos, até então a maior revelação do futebol brasileiro), e Zagalo (Flamengo), ganhou a partida por 5 x 1, gols brasileiros de Zagalo (dois), Vavá, Dida e Pelé.
Na segunda partida, as deficiências da seleção brasileira ficaram mais evidentes. O jogo, dessa feita, ocorrido no estádio do Pacaembu, foi bem mais difícil; usando o mesmo time anterior, contando também com a entrada de meia Moacir, do Flamengo, e de Canhoteiro, o resultado não saiu do 0 x 0, despertando comentários desairosos por parte da imprensa desportiva.

Até que veio a difícil tarefa da convocação definitiva dos jogadores para a seleção. Não haveria tempo para experimentos, e os selecionados teriam que ser efetivamente os melhores nas suas posições, aqueles que mais se destacaram ao longo dos últimos anos. Os escolhidos foram: Castilho (Fluminense) e Gilmar (Corinthians) para o gol; De Sordi (São Paulo) e Djalma Santos (Portuguesa de Desportos), laterais direitos; Bellini (Vasco da Gama) e Mauro (São Paulo), beques centrais; Orlando (Vasco da Gama) e Zózimo (Bangu), para a quarta zaga; Nilton Santos (Botafogo) e Oreco (Corinthians) para a lateral esquerda; Zito (Santos), Moacir (Flamengo), Didi (Botafogo) e Dino (Corinthians), para o meio do campo; Garrincha (Botafogo) e Joel (Flamengo), para a ponta direita; Vavá (Vasco da Gama), Dida (Flamengo), Pelé (Santos) e Mazzola (Palmeiras), atacantes; Zagalo (Botafogo) e Pepe (Santos), para a ponta esquerda.

Como todo mundo no Brasil é meio técnico de futebol, muitos cronistas esportivos criticaram a convocação, especialmente a não convocação de Almir, o "enfant-terrible" do Vasco da Gama, de Canhoteiro (que, segundo a lenda, não teria sido convocado por ter medo de andar de avião e por causa de sua boemia), do São Paulo, de Delvechio, do São Paulo, de Paulinho, do Vasco da Gama, de Evaristo, do Flamengo, de Roberto Belangero, do Corinthians, além de outros mais. Mário Filho que, desde o princípio, se posicionara contra a Comissão Técnica, era um dos mais azedos críticos, apostando em mais um fracasso da seleção brasileira. Entretanto, os comandantes do escrete nacional continuaram a trabalhar com a equipe (comentou-se que o dentista da seleção teria arrancado mais de sessenta dentes em situação precária dos jogadores selecionados) e, ainda no Brasil, já sob o comando de Vicente Feola, e antes da convocação definitiva, teve a oportunidade de fazer experimentos com sua jovem seleção.
Antes, porém, da convocação definitiva, nas preparatórias, a seleção brasileira fez alguns amistosos; o primeiro jogo, contra a Bulgária, acontecido no estádio do Maracanã em 14.05.1958, entrando em campo os jogadores Castilho, De Sordi, Mauro, Zózimo, Nilton Santos Zito, Moacir, Joel, Mazola, Dida, Pelé e Zagalo, o Brasil ganhou facilmente de 4 x 0, com gols de Pelé, Moacir, Dida e Joel.

Brasil 4 x 0Bulgária

Seleção brasileira goleia Bulgária por 4 x 0 no Maracanã.

Quatro dias depois, no Pacaembu, contra o mesmo time da Bulgária, a seleção brasileira ganhou pelo placar de 3 x 1, experimentando os jogadores Gilmar, Mauro, Jadir (do Flamengo), Orlando, Nílton Santos, Roberto Belangero, Moacir, Garrincha, Mazola, Gino, Pelé, Canhoteiro e Pepe. Pelé marcou dois gols, e Pepe completou o placar.
Outro amistoso ainda seria disputado no Brasil (21.05.1958), dessa feita contra o Corínthians. Realizado no estádio do Pacaembu, entrando em campo os jogadores Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando, Nílton Santos, Zito, Dino Sani, Didi, Garrincha, Mazola, Pelé, Vavá e Pepe, a equipe brasileira ganharia por 5 x 0, com dois gols de Pepe, dois de Garrincha e um de Mazola. Estava encerrada a série de amistosos em solo brasileiro. O negócio agora era a Europa. A sorte estava lançada. Assim, no dia 24 de maio do corrente ano, lá ia a seleção, rumo à Itália, para iniciar sua preparação à Copa, com diversos amistosos já agendados. O time titular da seleção seria definido a partir das atuações dos jogadores nesses jogos amistosos, com uma única exceção: Nílton Santos, o mais experiente entre todos os jogadores, era o único que tinha sua escalação garantida.

Brasil 3 x1 Bulgária

Brasil 3 x 1 Bulgária, Pacaembu.

O primeiro desses amistosos foi contra o time italiano da Fiorentina, em 29 de maio, no estádio Comunale, localizado na aprazível cidade de Firenze. A seleção colocou em campo Gilmar, De Sordi, Djalma Santos, Bellini, Orlando, Nílton Santos, Dino Sani, Didi, Garrincha, Mazola, Moacir, Dida, Vavá e Pepe. Contra um time fraco, a seleção não teve dificuldade em ganhar de 4 x 0, com gols de Mazola (dois), Garrincha e Pepe. O segundo amistoso, em 01.06.1958, dessa feita contra a Internazionale de Milão, foi realizado no estádio San Siro, templo do time italiano. Mesmo com uma equipe mais bem estruturada, a Inter não resistiu ao escrete brasileiro, que contou com Castilho, Djalma Santos, Bellini, Orlando, Nilton Santos, Oreco, Dino Sani, Didi, Joel, Mazola, Dida, Vavá, Pepe e Zagalo, perdendo pelo mesmo placar – 4 x 0 –, gols de Dino Sani, Mazola, Dida e Zagalo.

Os dois bons resultados, contudo, não foram suficiente para que a equipe brasileira fosse definida; Feola, aborrecido com a atuação de Garrincha frente à Fiorentina, muito individualista para o gosto da Comissão Técnica (ficou famoso seu gol contra essa equipe, em que, após driblar todo mundo, finta o goleiro italiano, espera a chegada do zagueiro adversário, e só aí faz seu gol), foi barrado, Joel, do Flamengo, sendo considerado, a partir daí, titular da seleção. Garrincha nem entrou em campo contra a Inter de Milão.

A Copa do Mundo de 1958 na Suécia

A Suécia foi escolhida para realizar a Copa do Mundo 1958 em 1950, e foi derrotada pelo Brasil na final. O evento foi sediado na Suécia, tendo partidas realizadas nas cidades de Borås, Eskilstuna, Gotemburgo, Halmstad, Helsingborg, Malmö, Norrköping, Örebro, Sandviken, Solna, Uddevalla e Västerås. O Brasil conquistou sua primeira Copa do Mundo, a única disputada na Europa vencida por uma seleção não-européia, encantando o mundo com jogadores como Pelé e Garrincha. 

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Cartaz oficial da Copa do Mundo de Futebol de 1958.

A Copa desse ano contava com equipes razoavelmente favoritas. A Alemanha Ocidental vinha para a copa com uma seleção quase igual àquela campeã em 1954, porém quatro anos mais velha. A Hungria, que havia brilhado na Copa passada, perdeu grande parte de seus jogadores devido à  Revolução Húngara de 1956, vindo com uma equipe mais fraca. A União Soviética era cotada como uma das favoritas pelo fato de ter vencido as  Olimpíadas de 1956. No início do ano, a Inglaterra, que tinha uma equipe forte, sofreu uma grande perda com o desastre aéreo de Munique.

 

 

                         A TRAGÉDIA QUE A INGLATERRA NUNCA ESQUECERÁ

No dia 06 de fevereiro de 1958, após a disputa de uma partida contra o Estrela Vermelha, em Belgrado, o Manchester fazia a viagem de retorno à Inglaterra. Era o vôo 609 da British European Airways.

A equipe havia conquistado um empate por 3 a 3 contra o time iugoslavo, que lhe rendeu a classificação para as semifinais da Liga dos Campeões.

Mas não houve tempo para comemoração. Segundo testemunhas, durante a viagem estava nevando muito. O piloto do bimotor Airspeed Ambassador, prefixo G-ALZU, construído pela “De Havilland”, que fazia vôos regulares entre a Alemanha e a Inglaterra, estava com pouca visibilidade. E, para piorar, um dos motores estava com defeito. A torre chegou a ser informada sobre o problema, mas nada adiantou.

avião

Modelo do avião que levava a seleção inglesa.

Logo depois, o motor pegou fogo e o avião caiu nas proximidades da cidade de Munique, na região da Baviera, por volta das 18 horas.

No acidente morreram 28 pessoas entre passageiros e moradores do local da queda do avião. A comitiva do Manchester era formada pelo diretor esportivo, o secretário da equipe, 11 jornalistas e 17 jogadores.

desastre

Imagens do desastre com o time inglês.

Logo após o acidente, o zagueiro Billy Foulker afirmou: “Tudo se passou terrivelmente depressa. Uma explosão formidável que sacudiu o aparelho, e tínhamos a impressão que nossos tímpanos explodiam”.

A equipe perdeu oito jogadores: Roger Byrne, Eddie Colman, Duncan Edwards, Mark Jones, David Pegg, Tommy Taylor, Billy Whelan e George Bent.

Entre os sobreviventes Bobbby Chalton, que, em 1966, voltou a sorrir quando no estádio de Wembley, foi o grande destaque no Mundial vencido pela Inglaterra.

Até hoje a tragédia não foi esquecida. No aeroporto de Riem há um grande memorial e várias homenagens ocorreram no aniversário de 50 anos do acidente, em 2008. Uma delas no jogo contra o Manchester City no dia 10 de fevereiro no qual, o United entrou com um uniforme baseado no que era usado pelo time na época do acidente. Além do "jogo-homenagem", Old Trafford também presenciou a homenagem oficial e antes do jogo, mais de 75 mil pessoas fizeram um minuto de silêncio.

jogadores ingleses

Jogadores ingleses mortos no acidente.

O artilheiro da copa foi o francês Just Fontaine, com o recorde de 13 gols. Os argentinos, que não disputavam a Copa do Mundo desde 1930, tiveram uma participação vergonhosa sendo eliminados com uma derrota de 6x1 para a Tchecoslováquia.

Brasil

 Delegação Brasileira: Castilho, Bellini, Gilmar, Djalma Santos, Dino Sani, Didi, Zagallo, Oreco, Zózimo, Pelé, Garrincha, Nílton Santos, Moacir, De Sordi, Orlando, Mauro, Joel, Mazzola, Zito, Vavá, Dida, Pepe, Técnico - Vicente Ítalo Feola.

Seleções participantes: 16
Alemanha Ocidental | Argentina | Áustria | Brasil | Escócia
França | Gales | Hungria | Inglaterra | Irlanda do Norte
Iugoslávia | México | Paraguai Suécia | Tchecoslováquia
URSS |
Seleções estreantes: 3 (19%) - Gales, Irlanda do Norte e URSS.

 Brasil na Copa do Mundo 1958

Os brasileiros encantaram o mundo com uma seleção de craques, cujas principais estrelas eram Pelé e Garrincha. Além deles, o Brasil contava com grandes jogadores como Gilmar, Djalma Santos, Nilton Santos, Zito, Didi, Vavá, Zagalo. Na véspera o jogo final chovia muito em Estocolmo, e os brasileiros temiam que o campo pesado prejudicasse o jogo mais técnico dos brasileiros. Porém, em uma demonstração de fair-play, os suecos haviam coberto totalmente o campo com lonas. O jogo começou com a Suécia abrindo o marcador logo aos 4 minutos, porém o Brasil não se abateu e empatou logo depois com Vavá aos 9 minutos. Vavá ainda desempataria aos 32 minutos. No segundo tempo os brasileiros sacramentaram a vitória com gols de Pelé (10 e 45 minutos) e Zagalo (13 minutos). O placar final foi de 5x2.

uniforme

Os dois uniformes da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1958.

 Tabela e jogos da Copa do Mundo 1958

Eliminatórias: 55 seleções
Classificados automaticamente: Alemanha Ocidental (último campeão) e Suécia (país-sede)
Sede: Suécia
Campeão: Brasil - 1º título
Jogos: 35
Gols: 126
Média de gols: 3,6
Público: 868.000
Média de público: 24.800
Artilheiros: Just Fontaine (França) - 13 gols

 O Brasil na Copa de 1958 na Suécia: campeão
6 jogos | 5 vitórias e 1 empate | 16 gols a favor e 4 gols sofridos | saldo de gols +12.

 Primeira fase:
Grupo 1 - 1o Alemanha Ocidental, 2o Irlanda do Norte, 3o Tchecoslováquia, 4o Argentina.
Grupo 2 - 1o França, 2o Iugoslávia, 3o Paraguai, 4o Escócia.
Grupo 3 - 1o Suécia, 2o País de Gales, 3o Hungria, 4o México.
Grupo 4 - 1o Brasil, 2o URSS, 3o Inglaterra 4o Áustria.

Gilmar

Goleirão Gilmar entrando em campo para mais um jogo.

Quartas-de-final:
Suécia 2x0 URSS
Alemanha Ocidental 1x0 Iugoslávia
França 4x0 Irlanda do Norte
Brasil 1x0 País de Gales

Semi-finais:
Suécia 3x1 Alemanha Ocidental
Brasil 5x2 França

3o Lugar
França 6x3 Alemanha Ocidental

Final:
Brasil 5x2 Suécia

 Brasil 5 x 2 Suécia
Local: Raasunda (Estocolmo)
Árbitro: Maurice Guigue (França)
Gols: Liedholm 4, Vavá 8 e 32 do 1º tempo; Pelé 11, Zagalo 23, Simonsson 35, Pelé 44 do 2º.
BRASIL: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Pelé, Zagalo.
SUÉCIA: Svensson; Bergmark, Axbom; Borjesson, Gustavsson, Parling; Hamrin, Gren, Simonsson, Liedholm, Skoglund.

 Curiosidades da Copa do Mundo 1958

Como Brasil e Suécia têm uniforme amarelo, houve sorteio para ver que jogaria com a vestimenta principal na final. A seleção brasileira tinha como chefe da delegação Paulo Machado de Carvalho, que era mestre na motivação dos jogadores, o qual atendeu o telefone para saber o resultado do sorteio. Ao receber a notícia de que o Brasil havia perdido o sorteio, Paulo Machado de Carvalho não titubeou e gritou na frente dos jogadores "era isso que eu queria, jogar de azul, vamos ganhar!". 

 Após a vitória do Brasil sobre a Suécia na final, o capitão Bellini recebeu a taça e as atenções de todos que queriam fotografá-la. Então, Bellini ergueu a taça do mundo sobre sua cabeça, de modo que todos a pudessem fotografar. Nascia assim o famoso gesto, que desde então vem sendo repetido pelos campeões ao logo dos anos.

 A Copa da Suécia foi a primeira a ser televisionada. Mais de setenta países acompanharam o evento. Estádios e uma equipe competitiva foram construídos especialmente para a Copa da Suécia. De acordo com o revezamento a Copa de 1958 deveria ser feita na América do Sul, mas a FIFA decidiu manter na Europa mais uma Copa, sob protestos dos países sul-americanos.

bola oficial

Bola oficial da Copa do Mundo de 1958.

53 países disputaram as eliminatórias e, pela primeira vez, seleções da Ásia e da África participaram do torneio classificatório. Nove seleções da Ásia e África disputaram uma vaga. A seleção de Israel quase se classifica para a Copa sem jogar um jogo. Turquia e Sudão se recusaram a jogar com a equipe de Israel e a Indonésia se recusou a jogar em solo israelense. Entretanto, uma regra determinava que nenhuma equipe poderia se classificar sem ter jogado nenhum jogo. Um confronto direto intercontinental com Gales (segundo do Grupo 4 da UEFA) determinaria a equipe classificada. Gales venceu os dois jogos por 2 a 0 e o sonho de uma equipe da Ásia ou da África na Copa do Mundo foi adiado.

 Dessa vez a melhor equipe venceu. E finalmente a taça do mundo é do Brasil. Destacaram-se Didi, Garrincha e sobretudo o jovem Pelé, o mais novo jogador a vencer uma Copa do Mundo com dezessete anos e oito meses quando o Brasil conquistou a Copa de 1958.

 A mística camisa 10 de Pelé é fruto da desorganização. Os dirigentes não enviaram a numeração da camisa dos jogadores e coube a FIFA escolher e eternizar a camisa 10 para Pelé, reserva na ocasião.

 A seleção brasileira de 1958 é considerada a melhor seleção nacional de todos os tempos por vários especialistas, superando inclusive o time canarinho de 1970. Nunca o Brasil perdeu um jogo quando estavam em campo Pelé e Garrincha. E eles, assim como Didi, Zagallo, Zito, Vavá e Djama Santos fizeram a diferença para o Brasil superar o trauma de nunca ter vencido um torneio Mundial.

 O centroavante Strelsov, que jogava no Torpedo de Moscou, da União Soviética, era considerado um dos grandes astros da Copa. Mas acabou nem viajando para a Suécia, porque, em seu país, respondia a um processo de estupro.

massagista

Durante sete Copas do Mundo, entre 1950 a 1974, o massagista do Brasil foi Mário Américo (1914-1990). Famoso por roubar a bola da Final da Copa de 1958, na Suécia, para dar ao chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho, ele cunhou algumas frases famosas. Duas delas: durante um debate sobre homossexualidade, afirmou que, no futebol, nunca tinha visto esse negócio de “homem sexual”. Já o texto de uma publicidade de pomada analgésica estrelada por ele nos anos 70 dizia: “Com essas mão, já massageei muitos craque!”

Outro acontecimento marcante neste mundial. Na partida final de copas do mundo, os juízes saem de campo com a bola do jogo. Na final da Copa de 58, a história foi diferente. Mal o juiz francês apitou o fim do jogo, um neguinho entrou em campo como um raio e pegou a bola. Era o massagista do Brasil, Mário Américo. Cumpria ordens do chefe da delegação e tinha um esquema combinado com o roupeiro que iria ficar na arquibancada atrás de um dos gols esperando que ele jogasse a bola para sumir na multidão. Deu tudo errado: Mário Américo, com a bola na mão e a polícia atrás, correu para o gol errado. Quando percebeu, o jeito foi atravessar o campo driblando os guardas. Ao chegar no outro lado, seu parceiro estava tão emocionado com a vitória que esqueceu sua parte. O jeito foi correr para o vestiário, mas a porta estava trancada. Mário se enfiou por outra porta e depois de pular muros, chegou ao vestiário brasileiro. Escondeu a bola dentro de um saco de camisas e preparou outra, embrulhada numa toalha. Logo depois, o juiz apareceu exigindo a bola e deram-lhe a falsa. Dez minutos depois ele voltou furioso, exigindo a verdadeira. Foi dito que a mesma seria devolvida no banquete realizado à noite. Quando Mário Américo chegou na festa, o juiz estava na porta esperando. Mário deu-lhe um charuto e sugeriu que tomassem alguns drinques antes de devolver a bola. Depois de vários drinques, o francês acabou levando pra casa uma bola ainda mais falsa que a primeira. A bola verdadeira está hoje no museu da Federação Paulista de Futebol.

                      Ficha dos jogos do Brasil na Copa do Mundo de 1958 na Suécia
Primeira Fase:
8/junho/1958
Brasil 3 x 0 Áustria
Local: Rimervallen (Uddevalla)
Árbitro: Maurice Guigue (França)
Gols: Mazzola 38 do 1º tempo; Nílton Santos 4, Mazzola 44 do 2º.
BRASIL: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando, Nílton Santos; Dino, Didi; Joel, Mazzola, Dida, Zagalo.
ÁUSTRIA: Szanwald; Halla, Koller; Hanappi, Swoboda, Happel; Horak, Senekowitch, Buzek, Korner, Schleger.

No dia 08 de junho de 1958, o Brasil todo parado e em transe, a seleção brasileira entra em campo para iniciar sua participação oficial na Copa do Mundo da Suécia, país escolhido porque, assim como o país sede anterior – a Suíça –, por ter se mantido neutro durante a segunda Guerra Mundial, não necessitava de grandes investimentos em sua infra-estrutura, ao contrario da maioria dos países europeus. O primeiro time adversário seria a Áustria, uma seleção considerada das mais fracas do certame. Com Garrincha barrado, o time do Brasil foi escaldo, no esquema 4-2-4, com Gilmar, De Sordi, Bellini, Orlando, que ganhara a posição de Zózimo, e Nílton Santos; Didi (que estivera na iminência de ser barrado pela acusação de pouco se empenhar durante os treinos, proferindo a célebre frase “treino é treino, jogo é jogo”) e Dino Sani; Joel, Mazola Dida e Zagalo. Em um estádio lotado (21.000 espectadores), o time de Feola venceria o adversário pelo placar de 3 x 0, gols de Mazola (ainda no primeiro tempo, aos trinta e oito minutos), Nilton Santos, no começo do segundo tempo e, novamente, no segundo tempo, de Mazola, no finalzinho do jogo. Foi uma estréia realmente muito boa, enchendo de expectativas o torcedor brasileiro, ainda temeroso de um vexame da seleção nacional.

 11/junho/1958
Brasil 0 x 0 Inglaterra
Local: Nya Ullevi (Gotemburgo)
Árbitro: Albert Dusch (Alemanha Ocidental)
BRASIL: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando, Nílton Santos; Dino, Didi; Joel, Mazzola, Vavá, Zagalo.
INGLATERRA: McDonald; Howe, Banks; Clamp, Wright, Slater; Douglas, Robson, Kevan, Haynes, A'Court.

A forte seleção da Inglaterra seria a adversária seguinte. Em 11.06.1958, com a mesma formação, à exceção da entrada de Vavá no lugar de Dida, em um estádio com mais de 40.000 espectadores, o Brasil não conseguiu marcar, empatando em 0 x 0 com a seleção inglesa. Apesar do empate, o atacante do Vasco da Gama, Vavá, foi o destaque da partida, metendo uma bola na trave e se efetivando como titular do time. Entretanto, a atuação da seleção brasileira não agradara à Comissão Técnica, enquanto, no Brasil, os fantasmas de 1950 e de 1954 começavam a tomar forma.

Fontaine

Fontaine, artilheiro da Copa do Mundo de 1958.

15/junho/1958
Brasil 2 x 0 URSS
Local: Nya Ullevi (Gotemburgo)
Árbitro: Maurice Guigue (França)
Gols: Vavá 3 do 1º tempo; Vavá 21 do 2º.
BRASIL: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Pelé, Zagalo.
URSS: Yashin; Kesarev, Krijevsky; Kuznetsov, Voinov, Tsarev; A. Ivanov, V. Ivanov, Simonjan, Igor Netto, Iljin.

Para piorar as coisas, o próximo adversário seria a seleção da União Soviética. Comentava-se que o time russo, (comentários esses, obviamente oriundos da Guerra Fria), era formado por jogadores robotizados, fruto de técnicas desenvolvidas nos laboratórios soviéticos, e fora preparado para ser a campeã nessa Copa do Mundo. O problema da seleção brasileira era que a Inglaterra jogaria contra a seleção da Áustria, que ainda não ganhara nenhum jogo, e bastaria uma simples vitória da Inglaterra para que o Brasil voltasse para caso, caso perdesse para a União Soviética. A vitória, assim, tornou-se vital para os sonhos brasileiros. Não obstante a história ser um tanto quanto fantasiosa, ficou para a posteridade que, sentindo que a barra estava ficando pesada para os lados da seleção brasileira, Nilton Santos, Didi e Bellini pressionaram a Comissão Técnica, exigindo a escalação de volante santista Zito, de Pelé e de Garrinha, como condição de enfrentar de igual para igual a forte seleção da URSS. Seja qual for a verdade, o fato é que, no dia 15.06.1958, o time brasileiro entrou em campo já contando com esses jogadores.

GARRINCHA DESMANTELA A UNIÃO SOVIÉTICA

MINUTOS DA HISTÓRIA DO FUTEBOL BRASILEIRO - "Monsieur Guingue ordena o começo da partida. Didi centra rápido para a direita: 15 segundos de jogo. Garrincha escora a bola com o peito do pé: 20 segundos. Kuznetzov parte sobre ele. Garrincha faz que vai para esquerda, não vai, sai pela direita. Kuznetzov cai e fica sendo o primeiro João da Copa do Mundo: 25 segundos. Garrincha dá outro drible em Kuznetzov: 27 segundos. Mais outro: trinta segundos. Outro. Todo estádio levantou-se. Kuznetzov está sentado, espantado: 32 segundos. Garrincha parte para a linha de fundo. Kuznetzov arremete outra vez, agora ajudado por Voinov e Krijveski: 34 segundos. Garrincha faz assim com a perna. Puxa a bola prá cá, prá lá e sai de novo pela direita. Os três russos estão esparramados na grama, Voinov com o assento empinado para o céu.

O estádio estoura de riso: 38 segundos. Garrincha chuta violentamente, cruzado, sem ângulo. A bola explode no poste esquerdo da baliza de Iashin e sai pela linha de fundo: 40 segundos. A platéia delira. Agora é aplaudido. A torcida fica de pé outra vez. Garrincha avança com a bola. João Kuznetzov cai novamente. Didi pede a bola: 45 segundos. Chuta de curva, com a parte de dentro do pé. A bola faz a volta ao lado de Igor Netto e cai nos pés de Pelé. Pelé dá a Vavá: 48 segundos. Vavá a Didi, a Garrincha, outra vez a Pelé, Pelé chuta, a bola bate no travessão e sobe: 55 segundos. O ritmo do time é alucinante. É a cadência de Garrincha. Iashin tem a camisa empapada de suor, {EAU} como se já jogasse há várias horas. A avalanche continua. Segundo após segundo, Garrincha dizima os russos. A histeria domina o estádio. E a explosão vem com o gol de Vavá, exatamente aos três minutos".

Ney Bianchi em Manchete Esportiva, reproduzido no livro "Estrela Solitária", de Rui Castro”.
http://mundobotafogo.blogspot.com.br/

garrincha

Lance de Garrincha contra a União Soviética.
Foi uma exibição de gala da seleção brasileira, deixando atônitos os torcedores presentes no estádio Nya Ullevi, localizado na cidade de Gotemburgo. A desenvoltura da nova seleção, a harmonia que demonstrava, o desempenho de todo a seleção, deixaram embasbacados os cronistas esportivos do mundo inteiro presentes ao estádio. Sob o comando da dupla de meio-de-campo Zito e Didi, não demorou e o Brasil emplacou 2 x 0 (aos dois minutos do primeiro tempo e aos 20, do segundo), ambos do impetuoso atacante Vavá, do Vasco da Gama. Foi o início da lenda. O time brasileiro já saiu do campo considerado um dos mais fortes concorrentes ao título máximo. Garrincha, por seus desconcertantes dribles, se tornou um ídolo mundial instantâneo. O Brasil passara para as quartas-de-final. A fama da seleção da União Soviética ruiu como um castelo de cartas e a história de jogadores “robôs”, desmoralizada.

CENAS RARAS DESTE JOGO:

http://www.youtube.com/watch?v=ojLKzLuvni8

Quartas-de-final: 19/junho/1958
Brasil 1 x 0 País de Gales
Local: Nya Ullevi (Gotemburgo)
Árbitro: Hriedrich Speilt (Áustria)
Gol: Pelé 26 do 2º tempo.
BRASIL: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Mazzola, Pelé, Zagalo.
PAÍS DE GALES: Kelsey; Williams, M. Charles; Hopkins, Sullivan, Bowen; Medwin, Hewitt, Webster, Allchurch, Jones.

país de gales

Nas quartas-de-final, em 19.06.1958, o primeiro time a ser enfrentado seria a seleção do País de Gales, outra vez no estádio Nya Ullevi de Gotemburgo. Entrando em campo com a mesma formação anterior, o Brasil encontrou dificuldades para romper a forte retranca imposta pela seleção galesa, até que, após quase 75 minutos de jogo, Pelé abre o placar para a seleção brasileira. Foi uma vitória suada pelo placar de 1 X 0, que, entretanto, serviu de importante teste para os jogadores brasileiros, especialmente os mais jovens. Nesse jogo, Pelé se torna definitivamente o titular da camisa 10 da seleção. A França seria a adversária seguinte na semifinal da Copa, que aconteceria, dessa feita, na capital, Estocolmo.

Semifinal: 24/junho/1958
Brasil 5 x 2 França
Local: Raasunda (Estocolmo)
Árbitro: Mervyn Griffiths (País de Gales)
Gols: Vavá 2, Fontaine 8, Didi 39 do 1º tempo; Pelé 8, 19 e 31, Piantoni 40 do 2º.
BRASIL: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Pelé, Zagalo.
FRANÇA: Abbes; Kaelbel, Jonquet; Lerond, Penverne, Marcel; Wisnieski, Kopa, Fontaine, Piantoni, Vincent.

A França vinha com uma forte seleção para essa Copa do Mundo. Para se ter uma idéia de seu potencial, ela terminaria o certame em terceiro lugar, com o ataque mais positivo e com o artilheiro, Just Fontaine (13 gols). Porém, no dia 24.06.1958, no estádio Rasunda, em Estocolmo, a seleção canarinho entra em campo de forma avassaladora. Se a crônica esportiva do mundo inteiro ficou impressionada com o desempenho do time brasileiro contra a União Soviética, dessa feita, o efeito foi hipnotizador. Vavá abriu o placar logo aos dois minutos, mas, o artilheiro Just Fontaine empatou a partida aos nove do primeiro tempo, sendo esse o primeiro gol sofrido pelo goleiro Gilmar. Ainda no primeiro tempo, Didi desempatava para o Brasil para delírio dos torcedores.

pelé

Gol de Pelé contra a França.

Pelé, com seus três gols no segundo tempo, se tornou o novo fenômeno da Copa. A França ainda marcaria seu segundo gol. O placar de 5 x 2 favorável ao Brasil deixou o time favoritíssimo para essa Copa, tornando-se a sensação do torneio. A seleção brasileira estava, pela segunda vez, numa final de Copa de Mundo. Enquanto isso, aqui no Brasil, a euforia tomava conta dos torcedores. O ufanismo era geral. A atuação do juiz do País de Gales, porém, deixou os cronistas desportivos brasileiros possessos, todos o acusando de tentar roubar o Brasil. No entanto, entre os torcedores brasileiros, o título já era considerado favas contadas.

Final: 29/junho/1958
Brasil 5 x 2 Suécia
Local: Raasunda (Estocolmo)
Árbitro: Maurice Guigue (França)
Gols: Liedholm 4, Vavá 8 e 32 do 1º tempo; Pelé 11, Zagalo 23, Simonsson 35, Pelé 44 do 2º.
BRASIL: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Pelé, Zagalo.
SUÉCIA: Svensson; Bergmark, Axbom; Borjesson, Gustavsson, Parling; Hamrin, Gren, Simonsson, Liedholm, Skoglund.

final

Seleção brasileira perfilada antes do início do jogo final.

Finalmente chegou o dia da decisão. Seria contra a dona da casa, a Suécia, que chegara, com méritos, a essa decisão, classificando-se para as quarta de final ganhando do México por 3 x 1, da Hungria por 2 x 1 e empatando com o País de Gales por 0 x 0. Nas quarta-de-final, classificou-se para as semifinais, ao ganhar da União Soviética pelo placar de 2 x 0. E para confirmar o melhor momento de seu futebol, abateu o sempre forte time da Alemanha Ocidental por 3 x 1, uma façanha que deixou os torcedores suecos em êxtase, pois, nem em seus melhores sonhos, eles esperavam que o time chegasse às finais de uma Copa do Mundo.
Era um domingo, o dia, 29 de junho de 1958, a hora, 10h45m, horário do Brasil. As chuvas que caíram na véspera da final deixaram apreensivos os jogadores brasileiros, acostumados ao toque de bola e aos longos lançamentos de Zito e de Didi. O estádio de Rasunda estava lotado de torcedores da seleção adversária (50.000 torcedores). Assim que se perfilam antes do jogo, o rei Gustavo entra em campo, cumprimentando todos os jogadores. Dessa feita, o time brasileiro entraria com uma modificação, com a entrada de Djalma Santos no lugar do lateral-esquerdo De Sordi. O Brasil entrava em campo com um improvisado uniforme azul, já que a preferência do uso da cor amarela cabia à dona da casa.

pelé
Coube a Vavá o primeiro lance, tocando para Pelé. O nervosismo era geral de ambas as partes, com um começo de partida em que os adversários se estudavam. Mestre Didi foi o primeiro a testar as habilidades do goleiro Svensson, sem sucesso. Só que, com apenas 4 minutos de partida, o atacante Liedholm avança, dribla a dupla de área vascaína, Bellini e Orlando, e lança seu petardo. Gilmar nada pôde fazer. A Suécia abria o placar para delírio de sua enorme torcida que lotava o estádio.

Vavá

Vavá, jogador da seleção de 1958.
De qualquer forma, o gol adversário não intimidou a seleção brasileira. Garrincha, demonstrando estar em boa forma, obriga o goleiro sueco a executar, logo a seguir, boa intervenção. Aos sete minutos, Pelé quase marca, ao receber precioso passe de Zagalo, escorregando no momento crucial. Nesse momento, o time brasileiro já demonstrava personalidade e partia com determinação contra a zaga sueca, que se defendia, jogando a bola para escanteio. Na primeira vez, Garrincha desperdiçou a oportunidade. Na segunda, cobrada de forma excepcional por Zagalo – uma bola forte e rasteira – o goleiro sueco ficou a ver navios: Vavá, de forma impetuosa, se meteu entre os zagueiros e, na raça, empatava a partida. A partir daí, o Brasil começava a dominar a partida. Enquanto Zito e Didi protegiam a defesa, Garrincha, geralmente marcado por mais de um jogador da Suécia, como sempre, dava seu show particular, dando início à desestruturação da defesa adversária. E foi exatamente ele quem quase desempatou a partida, ao centrar com força uma bola para dentro da área, obrigando o beque central Gustavsson a cortar a bola para escanteio, quase marcando gol contra.
A defesa brasileira, nesse ínterim, atuava de forma perfeita, com destaque para a dupla Bellini e Orlando, que impedia todos os avanços dos atacantes suecos, a essa altura tentando utilizar jogadas aéreas cruzadas para a área, e para Nílton Santos, um gigante na defesa, que não se furtava em utilizar jogadas duras nos momentos mais difíceis, deixando receoso o ataque inimigo.

pelé

Pelé driblando três jogadores suecos.

Aos 28m, o time sueco teve sua melhor chance até então na partida; em um cruzamento, Gilmar foi batido e a bola estava entrando quando Zagalo, providencialmente, chega e consegue desviar a bola do gol brasileiro. Esse lance pareceu a senha para a seleção se posicionar de forma mais concatenada e, passados poucos minutos, Garrincha, em jogada infernal, dribla o primeiro de seus marcadores, dribla o segundo e, da linha de fundo do lado direito, cruza de forma perfeita para a grande área e encontra o artilheiro Vavá. O goleiro Svensson ainda tenta salvar sua equipe pulando como gato nos pés do atacante brasileiro. Muito tarde, porém. Era o desempate da partida. O Brasil chegava ao fim do primeiro tempo com o placar de 2 x 1 a seu favor.

Djalma Santos

O Brasil entra em campo para o segundo tempo de forma desinibida e apaixonada. A equipe se mostrava perfeita, tanto no ataque quanto na defesa. Parecia atuar por música. Até que, aos nove minutos, aconteceu o momento da consagração definitiva de Pelé; o jogador recebe um belo passe de costas para o gol da Suécia. O zagueiro Gustavsson corre para tentar anular o lance e, para sua surpresa, Pelé, que matara a bola no peito, aplica-lhe o famoso “lençol”, e, antes que a bola caísse no chão, de sem-pulo, atira para o gol adversário. Um gol espantoso pela beleza, o mais perfeito dessa Copa do Mundo. Desse momento em diante, a Suécia se curvava, definitivamente, diante da seleção brasileira, que exibia um futebol de gala, deslumbrando os torcedores suecos, que então já aplaudiam o desempenho dos jogadores brasileiros
Na realidade, o que surpreendia os suecos era a desenvoltura de todo o time brasileiro. Não havia posicionamento rígido de nenhum jogador da linha de ataque, Garrincha podendo aparecer de repente na área, enquanto Pelé caía para a ponta esquerda. No meio de campo, Didi dava as cartas, impressionando meio mundo por sua classe. Diante de tal atuação, novo gol era esperado a qualquer momento. E foi o que aconteceu. Aos vinte minutos, o ponta-esquerda Zagalo, de repente, aparece na área sueca, a bola em seus pés; ginga diante de seu marcador e, novamente, na saída do goleiro Svensson, os dois disputando a bola, atira inapelavelmente para o gol, mesmo caído na pequena área. Era o quarto gol. O sonho de ganhar a primeira Copa do Mundo para o Brasil, uma possibilidade mais que real. Por aqui, a festa já começara. Na cabeça dos torcedores, não tinha mais jeito. A seleção brasileira já era a campeã.

Mazzola
Apesar do show brasileiro, o time sueco não estava morto. Aos 34 minutos, recebendo um passe em impedimento, o atacante Simonsson não titubeia, vence Gilmar que tentava cortar a jogada, e marca o segundo gol da seleção da Suécia. Os jogadores reclamaram, o bandeirinha deu impedimento, mas, o juiz confirmou o gol, ficando a partida em 4 x 2 para o Brasil.
A seleção brasileira, então, começou a esfriar a partida, esperando o final. Era a hora das exibições individuais. Todos brilhavam em campo, somente esperando o apito do juiz encerrando a partida. Quando tudo parecia acertado, o foguetório e o carnaval fora de época tomando conta de todo o Brasil, aos 45 minutos e 30 segundos (ou 30 segundos para o encerramento da partida), Zagalo centra para a área e encontra Pelé desmarcado. O novo gênio do futebol mundial acerta uma cabeçada certeira e aumenta o placar para 5 x 2. Não dava tempo para mais nada. O juiz encerra a partida. O Brasil é o campeão da Copa do Mundo de 1958.

manchete

Manchete do "Jornal do Brasil" noticiando a conquista brasileira.

Não demorou e começava a deificação da seleção brasileira. A eficiência do time, a noção de conjunto e a arte de jogar demonstrada por todos, foram o assunto de toda a crônica esportiva mundial. Pelé foi eleito a revelação do torneio, iniciando sua escalada para se tornar o rei do futebol mundial. Na seleção da Copa daquele ano, com recorde de países inscritos (53 países, 46 efetivamente participando), só não entraram os jogadores Zagalo, Orlando e Zito, demonstrando a superioridade da seleção canarinho. Uma das imagens que ficaram imortalizadas nessa Copa foi a do Capitão Bellini erguendo triunfalmente a taça Jules Rimet, em um gesto nunca feito antes e que se repetiria por todos a partir daí. Outra, a do garoto Pelé, chorando, sendo afagado por Gilmar, seu companheiro mais experiente.

pelé

Pelé chora copiosamente nos ombros de Didi e é afagado por seus companheiros.
A chegada ao Brasil foi tumultuada e gloriosa. Uma apoteose. Desfilaram em carro aberto, foram recebidos com pompas pelo presidente Juscelino Kubitschek e os jogadores se tornaram ídolos tais como os astros do cinema e da televisão. Falava-se, inclusive, que o capitão Bellini, com pinta de galã, tinha sido sondado para ser astro em Hollywood. Mazola e Dino Sani já estavam contratados para atuarem na Europa. O Brasil, por sua conquista se tornara assunto mundial.

Brasil campeão

Time brasileiro que enfrentou a Suécia no final da Copa do Mundo de 1958.

 Garrinha, Alegria do Povo.

garrincha

Mané Garrincha, carinhosamente chamado de "Alegria do povo".

E Mané Garrincha? Ao chegar, sob festas e fogos de artifício, conquistara Angelita Martinez, uma das vedetes mais lindas (e ambiciosas) do Brasil, ex-mulher do cantor Chucho Martinez, ex-amante do craque flamenguista Pavão e, comenta-se, até de Jango Goulart, que, para a glória do ponta-direita brasileiro, gravaria para o carnaval do ano seguinte, a marchinha Mané Garrincha, letra do mestre Wilson Batista, cheia de duplos sentidos, uma das mais cantadas e executadas em todo o país.

Angelita

 Tema Musical Brasileiro da Copa do Mundo 1958

  A Taça do Mundo é Nossa

 Maugeri/Müller/Sobrinho e Dagô

 A taça do mundo é nossa

 Com brasileiro, não há quem possa

 Êh eta esquadrão de ouro

 É bom no samba, é bom no couro

 A taça do mundo é nossa 

 Com brasileiro, não há quem possa

 Êh eta esquadrão de ouro

 É bom no samba, é bom no couro

 O brasileiro lá no estrangeiro

 Mostrou o futebol como é que é

 Ganhou a taça do mundo

 Sambando com a bola no pé (Goool!)

 Belini

O capitão brasileiro Belini ergue a taça, gesto que ficou imortalizado e passou a ser prática comum em todos os gramados do mundo.

desfile

Seleção brasileira recebida com festa na volta ao Brasil.

 

 

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