Translate this Page

Rating: 3.6/5 (4824 votos)




ONLINE
1




Partilhe este Site...



  

 

 

Creme dental Glister


 

VISITE NOSSO SITE:

Pixabay imagens gratuitas



GARRINCHA: A ALEGRIA DO POVO E DO BRASIL!
GARRINCHA: A ALEGRIA DO POVO E DO BRASIL!

GARRINCHA - ALEGRIA DO POVO

A vida torta de Mané Garrincha

Suas pernas formavam um arco. A esquerda, onde a deformação era mais notável, tinha 6 centímetros mais que a outra. Já era um milagre que andasse. Inadmissível que jogasse futebol. É inacreditável que logo no segundo treino, torto e desajeitado nos seus dezenove anos, desse meia dúzia de dribles "num tal de Nílton Santos": para ele, entre a "enciclopédia do futebol", pelo seu jogo prodigioso, e Pincel e Suingue, seus companheiros no Esporte Clube Pau Grande, a diferença era nenhuma. Essa é a história no seu começo.

pássaro

Este pequeno pássaro, conhecido como garrincha, seria o apelido, dado pelos próprios irmãos,  da maior lenda do futebol brasileiro e mundial.
A lenda nasceu junto. Cresceu na Suécia em 1959 e tornou-se infinita no Chile em 1962. Esfriou na Inglaterra em 1966. Desapareceu na poeira de campos anônimos na Colômbia, Uruguai, Argentina e Itália. E reapareceu angustiadamente no Maracanã, duas semanas atrás, para 50.000 pessoas que enfrentaram a chuva e a noite para ver um jogo que normalmente seria ouvido no radinho de pilha. Suas pernas continuavam formando um arco. Outra vez, mas por outros motivos, era um milagre que jogasse futebol. Torto e desajeitado nos seus 31 anos, Mané Garrincha ganhou palmas de um povo ávido em reencontrar sua velha alegria. Essa é a lenda no seu crepúsculo.

Entre a história e a lenda, entre o Garrincha de dezenove anos do Botafogo e o de 38 do Olaria, acentuou-se dramaticamente a linha que separa a realidade da ficção. É a mesma linha que divide quase vinte anos de glórias e humilhações, de baixezas e desprendimento, de heroísmos e ingenuidade. A mesma que fez com que Nílton Santos, um dia, fosse outro jogador que não Pincel, ou Suingue. É a linha que Mané, com seus dribles impossíveis e sua imaginação de criança, jamais respeitou, porque sequer suspeita de sua existência.

início

Garrincha com o uniforme do Botafogo, onde se projetaria para o mundo.
A SENTENÇA - O povo que correu ao Maracanã sabe, mas não quer saber, que perdeu para sempre sua alegria. Garrincha, ao longo dos anos, perdeu muito mais que o seu gênio para criar essa alegria em campo. Não está apenas mais gordo, mais lento e mais velho, mas também um pouco mais triste. Nenhum jogador brasileiro, salvo Pelé, mereceu mais o paraíso do que ele. Nenhum craque de sua categoria, especialmente Pelé, chegou tão perto do inferno. Há muitos anos - nove, no mínimo - não é mais o mesmo. Em 1962, o ano da Copa sem Pelé, em que Garrincha fez o seu papel e o do gênio ausente, um exame médico aparentemente de rotina, para apurar "umas dores muito fortes no joelho", chegou a um laudo inquietante.

"Eu levei Mané ao ortopedista Mário Jorge", conta o jornalista Sandro Moreira, um dos responsáveis pela divulgação da quantidade de histórias engraçadas sobre o jogador. A sentença, no entanto, veio depois de três horas e não era cômica: "Se não parar de jogar durante três meses, estará inutilizado para o futebol." Parecia exagerado, principalmente para o Botafogo, que precisava de Mané numa excursão, sob pena de perder 50% dos lucros. A operação foi adiada. O fim da carreira, automaticamente, antecipado.

início

Imagem rara de Garrincha em jogo do seu primeiro time, o Pau Grande.
A DECADÊNCIA - Mané, o otimista, concordava com seu time. Ele já era campeão carioca pelo Botafogo duas vezes (em 1957 e 1961), ganhara o Torneio Rio-São Paulo em 1962, além das duas copas. Era a época em que o Botafogo considerava "normal, da personalidade dele", que Garrincha fosse a Pau Grande jogar pelada com amigos. Quando o joelho começou a doer, depois de 1963, o Botafogo reclamou pelos longos períodos que Garrincha passava em tratamento. Foi operado meniscos naquele ano e, como o médico era de fora, o clube não quis pagar.

No ano seguinte, com os jogadores "come e dorme" (os que moram no clube e treinam sem grandes esperanças de chegar a algum lugar), perdera o posto de titular e era multado em 50% do salário por se recusar a excursionar pelo interior ("Se não sou titular no Maracanã, não sou titular em nenhum outro lugar", defendia-se ele). Já era chamado de "moleque" no próprio boletim do clube, numa nota assinada pelo diretor de propaganda. Da lenda, então, restava só a lembrança.

Garrincha já saíra das gírias esportivas para as manchetes dos jornais de escândalo, encantados com a notícia de que ele deixara a mulher e oito filhos em Pau Grande para viver com a cantora Elza Soares (com quem casou em 1966, na embaixada da Bolívia), e as notícias sobre suas dívidas cresciam como só os rumores sabem crescer. Não bastava, assim, que Garrincha não tivesse nada. Era necessário que ele, quase derrotado, ainda ficasse devendo.

adolescência

Garrincha adolescente, vestindo a camisa do Botafogo.
EM FAMÍLIA - A triste sorte de Garrincha, nessa época, não chegou a surpreender ninguém. João Saldanha, técnico do Botafogo em 1957, ano em que Garrincha ganhou seu primeiro campeonato pelo time, lembra o episódio do "tal de Nílton Santos" como sintoma muito claro de sua alienação e do que estava para acontecer. Garrincha, diz ele, não é um poeta: "É um primitivo, um matuto, meio índio, meio selvagem, criado num submundo de miséria e ignorância, um lugar atrasado onde nem o trem parava".

Esse fim de mundo, Pau Grande, não tem cinema, nem cartório, nem mais nada. Quase tudo - terrenos, empregos, pessoas - pertence à fábrica América Fabril, uma tecelagem que hoje, mal se recuperando de uma concordata, não consegue reempregar todos os seus antigos funcionários.

Mané Garrincha nasceu ali, quarto filho de uma família numerosa e marcada pela tragédia. O pai, guarda, morreu de cirrose. Uma irmã, Teresa, morreu aos catorze anos de barriga d'água. Outra, ao cair de um caminhão num dia de festa, e o filho desta, agora com dezesseis anos, perdeu uma perna quando caiu de um trem.

Garrincha estudou até o segundo ano primário e, como todo mundo no lugar, foi trabalhar na fábrica. Carregava carrinhos de pano enquanto sua namorada, Nair, já era qualificada como tecelã. Ela lhe dava cigarros, frutas, amendoim. Ele deu o troco que podia dar e os dois se casaram em 1953 (ele com dezenove, ela com dezesseis anos) já com a primeira filha encomendada. Além de Teresa, hoje com dezoito anos, viriam outras sete - para encher a casa de três quartos, sala, cozinha e banheiro, presente da fábrica quando Garrincha ganhou a primeira Copa.

glórias

Garrincha sendo abraçado pelo presidente João Goulart depois da conquista do campeonato da Suécia.
Teresa já trabalha como fiandeira, mas está de licença desde que perdeu no trabalho o dedo anular direito, há dois anos, e sofreu um trauma nervoso. Garrincha está muito presente na casa de dona Nair, agora com 36 anos, quadris largos, cabelos curtos e esticados, fala fluente de quem já se acostumou a responder perguntas, acendeu velas no dia da volta do ex-marido contra o Flamengo. "Manuel", diz ela, "era um primor de marido, uma beleza de casa, eu tinha até empregada."

Depois, porém, "viraram a cabeça dele" e desde então sua vida entrou em compasso de espera. Diz que Garrincha lhe deve 20 mil cruzeiros de pensões, que não teria pago desde que ele foi para a Europa; tem esperança de recebê-los agora, descontados dos salários de Garrincha no Olaria, 1.000 cruzeiros por mês. Sustenta-se e às filhas com o auxílio-doença de Teresa, 250 cruzeiros de pensão do governo da Guanabara (votada no governo Negrão de Lima) e 200 que o Botafogo dá, numa regularidade duvidosa, como homenagem à família do maior jogador que teve em toda a sua história.

flâmula

SACO SEM FUNDO - Nem sempre a vida foi tão dura para dona Nair e suas filhas. Garrincha, como tantos personagens famosos e folclóricos, literalmente nadava em dinheiro em 1958, quando veio da Suécia campeão do mundo. Bebeu para valer (cachaça e batida de limão) em Pau Grande, jogou pelada com Suingue e Pincel e entrou no armazém de seu Joaquim com uma sacola de dinheiro, pagando em dólar todas as contas em atraso dos moradores de Pau Grande. Mais tarde, ao procurar um banco, levava a mala de lona que ganhara da companhia aérea e de dentro dela tirou pacotes de dinheiro amarrados com barbante e notas remendadas com esparadrapo.

Havia cheques de mais de um ano idade e Garrincha contou que foram encontrados entre os brinquedos de suas filhas. Era um louco, deliciosamente irresponsável. Quando perdeu a forma passou a ser apenas irresponsável. As histórias sobre o que Garrincha deixou que lhe roubassem formam o saco sem fundo de sua infeliz vida financeira. Não parecia preocupar-se com isso, na época. Tinha amigos, contava com eles. Em 1959, por exemplo, o Botafogo não queria pagar-lhe 80.000 cruzeiros velhos por mês porque um dos diretores do time, engenheiro, dizia que nem ele ganhava tanto, embora também não fosse um Garrincha na sua profissão. O Botafogo pagou 78.000 cruzeiros. Os dois restantes saíram dos bolsos do técnico Saldanha e de Renato Estelita, responsável pela política de profissionalismo que manteve no clube jogadores como Garrincha, Nílton Santos, Didi e Amarildo.

filhas

Foto recente de três filhas de Garrincha: Rosângela, Teresinha e Marinete.
Nas vésperas da Copa de 1962, dirigentes do Botafogo apressaram a renovação de seu contrato, antes que ele se valorizasse. Deram a Garrincha 120.000 cruzeiros velhos de ordenados, 3 milhões em luvas e um terreno sem valor em Saquarema. Radiante, ele chegou a agradecer ao clube pelo grande negócio.

"GENTE BOA" - Em 1972, porém, já não há grandes negócios para Garrincha. Ele parece não entender: "Hoje em dia é assim, o sujeito só pensa em ganhar dinheiro. Até esses meninos que estão começando já têm um pai para orientar, imagine". Seu nome não perdeu a magia. Mas ele recusa qualquer outro tipo de negócio - restaurante, posto de gasolina, qualquer coisa - porque "não tenho pensamento nem queda para isso". Parece encurralado entre o campo do Olaria, onde treina de manhã, e o grande apartamento alugado mobiliado (espelhos, candelabros, móveis velhos) em Copacabana, diante da praia, por 5.000 cruzeiros mensais. De lá só sai praticamente para ir ao clube (não gosta de praia) e de tarde e de noite vê tudo na televisão, "menos anúncio".

O apartamento, que ele detesta, é a herança de seu último desastre financeiro: a perda de 200.000 cruzeiros, metade do preço de uma casa que estava comprando com Elza e que foram perdidos pela falta de pagamento do restante, na época em que viajaram para a Itália.

De resto, nem gosta mais de beber, como antigamente: "Para que? Já bebi tudo que podia, só não bebi veneno". Reclama que quase não é visitado. Quando aparece alguém, o sorriso e a alegria de Garrincha abrem-se em abraços e tapinhas nas costas: "Oi, gente boa, gente boa..."

"Gente boa", do melhor ao péssimo, foi tudo o que Garrincha viu na vida, dentro e fora do campo. "Gente boa" já eram os times que no começo da década de 50 nem queriam vê-lo treinar. "Gente boa" também deviam ser as moças do basquete do Vasco da Gama que riam muito da sua pobreza, com aquelas camisas de algodão barato. "Gente boa", enfim, foram todos que o ajudaram, bajularam e exploraram, e todos os que hoje em dia sumiram da sua casa. "Os meus amigos de futebol têm a sua vida, são livres, sabe como é, né", diz o craque, sem pronunciar jamais uma frase de condenação a quem quer que seja. Ao Botafogo, por exemplo, de onde saiu depois de treze anos, ele gostaria de voltar, "porque o pessoal daquele tempo já morreu todo". Quando vivo, em 1966, o "pessoal todo" vendeu Garrincha ao Corinthians sem sequer se dar ao trabalho de avisá-lo.

didi

Garrincha e Didi, uma dupla fantástica no Botafogo e na seleção.

Foi o começo de uma peregrinação que ainda não terminou. Saiu do Corinthians no mesmo ano, esteve na humilde Portuguesa do Rio, excursionou na Bolívia. Jogou no Bangu, andou pelos campos do interior e em Goiás seu nome era o chamariz, junto com o do craque local Goiano. Treinou no Fluminense e no Vasco. Em 1968, na Colômbia, fez um jogo ruim pelo Deportivo Barraquilla (deveria ganhar 600 dólares por partida), levou uma vaia e voltou sem jogar uma segunda vez. Não teve sorte nos treinos do Nacional, em Montevidéu, nem nos do Boca Juniors, de Buenos Aires. Tentou, sem sucesso, jogar no Flamengo.

Em abril de 1969, finalmente, a andança sem frutos sofreu uma interrupção brutal quando seu carro bateu num caminhão na rodovia Presidente Dutra e sua sogra, Rosália Maria Gomes, morreu. Foi condenado a dois anos de prisão, com direito a "sursis", por homicídio culposo, e absolvido em 1971. Elza conta que a morte de sua mãe foi a pior fase na vida de Garrincha. O Brasil, na época, parecia definitivamente fechado para ele.

ESTRANGEIRO - Mané Garrincha, o "passarinho" desligado, o homem bom e sem ressentimentos, devia mesmo estar sendo vítima do destino. Ele se lembrou de que fora do Brasil deveria haver muito mais "gente boa". Em 1963, por exemplo, os dois times mais famosos da Itália, ambos de Milão, a Internazionale e o Milan, disputavam o ponta-direita brasileiro já considerado legendário. Chegaram a oferecer meio bilhão de liras (montante inédito até então na Itália) pelo seu passe, mas o Botafogo queria muito mais e os entendimentos foram suspensos. Em princípios de 1970, lembrado disso e da carreira feliz de brasileiros como Angelo Sormani, campeão italiano, Amarildo e Mazola, entre outros, Garrincha foi viver na Itália. Era um ídolo, mas infelizmente chegara tarde demais: os times estavam proibidos de comprar jogadores estrangeiros desde 1965, a menos que fossem descendentes de italianos.

bons tempos

Os bons tempos como jogador famoso.

Manuel Francisco dos Santos conformou-se em ser companheiro de Elza Soares, que ganhava bem como cantora, e a fazer propaganda de café para o IBC, por 1.000 dólares mensais. Alguns o reconheciam como vendedor de café e se entristeciam, outros pensavam que ele era um vendedor qualquer e tratavam-no com grosseria.

Nos anos 1960, ninguém menos do que Pelé e Garrincha se tornaram garotos-propaganda da autarquia. Anos depois, já com a carreira encerrada, Garrincha passou uma temporada na Itália. O ex-craque do Botafogo tornou-se uma espécie de “embaixador brasileiro do café” na Europa. Para honrar o contrato, tinha que marcar presença em eventos, nos quais, a contragosto, tomava xícaras de café sem parar.

O Brindis, um time de terceira classe, tentou contratá-lo como consultor técnico, mas de novo a sua origem impediu a transação. Para piorar tudo recebia telefonemas anônimos e ameaçadores, em italiano, acusando-o de ter "traído o Brasil" e que ele, Elza e seus filhos seriam castigados. A polícia nada conseguiu apurar. Mudaram-se para Tor Vajanica, um balneário, e a vida continuou correndo devagar, com as raras alegrias de algum jogo beneficente entre velhos jogadores famosos, como o que fez em Milão no ano passado, ou então entre times improvisados com jogadores que vinham de todos os cantos do mundo.

SEM PARALELOS - Foi portanto com alguma tristeza, mas sem nenhuma surpresa, que correu pela Itália e depois pelo Brasil a notícia de que o maior ponta-direita do mundo estava jogando, de camiseta vermelha e calção branco, com um time de amadores formado de açougueiros de Tor Vajanica, num campeonato reunindo trabalhadores de bar, mecânicos e operários do lugar. "Eu faço isso", dizia Garrincha na época, "para me divertir e me manter em forma." Mas no principal jogo do campeonato o time dos açougueiros perdeu para o dos mecânicos por 5 a 4 (quatro passes de Garrincha) e sua carreira como amador terminou nessa derrota. Ele se defendeu de novo: "Aqui não posso nem correr, que quebro o pé. O campo é cheio de pedras e buracos".

benzedeira

Garrincha trocava as orientações médicas por uma benzedeira.

Parecia realmente o fim da linha. Mas ainda não. Saldanha, referindo-se à inconsciência de Garrincha em relação às pessoas e aos negócios, diz que ela também impede que ele sinta que o verdadeiro craque tem vergonha de fazer certas coisas, como jogar entre açougueiros. Prefere sair e se esconder num sofrimento íntimo do que exibi-lo num campo. Foge da realidade.

Garrincha, que mal vê a realidade, não finge nem tenta esconder coisa alguma. Pensa, em 1972, que é o mesmo de 1962, e por motivos bem simples: hoje, como ontem, sente um prazer de menino brincando com a bola, de mexer com os companheiros de time, de achar graça nos próprios dribles. Paradoxalmente, essa falta de percepção lhe dá força. Sua situação, agora, é mais triste para os outros do que para ele mesmo: no campo, Garrincha não tenta o impossível, corre o que pode correr, dribla o que sabe e tudo acaba dando certo. A ilusão é soberana. Ninguém o ataca seriamente. Ninguém quer machucá-lo e nenhum jogador teria nervos para agüentar a culpa de ter sido o responsável por uma contusão de Mané. Uma jogada de corpo é o quanto basta para que o estádio o aplauda e comece a rir. Em todos esses anos, e em todas as suas derrotas, não apareceu realmente um candidato sério ao seu lugar. Zequinha, Rogério e Cafuringa, por exemplo, fazem hoje um pouco de cada coisa que Mané fazia, mas não sintetizam, como ele, a capacidade múltipla de pique, drible, cruzamento e chute. Jairzinho - que Garrincha considera o maior ponta-direita do Brasil - lembrou na última Copa um pouco desse estilo único, desconcertante e inexplicável. Mas não existe outro Garrincha. Como jamais existiu alguém, que, como ele, no final de um campeonato do mundo (o de 1958), surpreendeu-se com a vitória do Brasil: "Mas não vai haver returno"?

O ANTI-PELÉ - Todos, enfim, querem ajudar Garrincha. Saldanha, "que se esqueceu dele" em 1969, elogiou no seu programa de rádio a volta do craque, principalmente porque "50.000 pessoas significam um carinho que ele merece". Sandro Moreira, seu amigo, não foi ao jogo e o "tal de Nílton Santos", o bicampeão de 46 anos e bem sucedido homem de negócios, também não foi, pelo mesmo motivo. Diz Santos: "Quero guardar a imagem do homem que jogou ao meu lado durante dez anos e que foi o maior jogador de futebol do mundo".

brincando

Garrincha brincando com crianças em Pau Grande.

É irônico que o maior jogador de futebol do Brasil, junto com Pelé e às vezes maior que ele, fosse justamente o anti-Pelé, em tudo. Em casa ou no campo, por exemplo, Garrincha escuta histórias e gritos que o bom senso de Pelé jamais levariam em conta. Há a aritmética doméstica de sua mulher e musa Elza Soares: "Com 80 minutos de partida, Mané ainda pode decidir um jogo. Quarenta por cento de Mané é melhor que cem por cento de muita gente". Há o incentivo de Roberto Pinto, treinador do Olaria, que durante os momentos menos brilhantes de Mané durante o jogo com o Rio Branco, em Vitória, na semana passada (o Olaria perdeu de 2 a 1), gritava: "Não tem importância. Tá ótimo. O jogo é amistoso. Sábado, contra o América, é que é para valer". Há o coro de seus poucos amigos, repleto de adjetivos e acusações a tudo e todos, no passado, e há quem hoje afirme que Garrincha não tem mais saúde para jogar futebol. Há os torcedores, que o amam e lhe pedem autógrafos na rua, como aconteceu em Vitória na semana passada, pessoas que querem que ele dê "uma ajudazinha" na primeira comunhão da escola, às 6 horas da manhã, ou o velho torcedor que exige de Garrincha que volte a ser o maior porque sempre acreditou que "esse tal de Pelé não vale nada". E há, sempre, a sua crença cega na "boa gente". Foi para Vitória na véspera e não sabia bem por quê. "Sei não. Acho que se eu não for antes as pessoas de lá não acreditam. Devo ser um chamarisco". O estádio Engenheiro Araripe, na noite seguinte, estava lotado (renda de 40.000 cruzeiros, muito acima da média local) para ver o "chamarisco". Com algum orgulho, fontes do Olaria anunciam que ainda este mês Mané fará outra proeza: dará o pontapé inicial num jogo em Juazeiro, Bahia.

PORTAS ABERTAS - Levando gente ao Maracanã, parando o trânsito nas ruas de Vitória, ganhando mais palmas em Juazeiro e outras cidades em que o Olaria fizer excursões, Garrincha, a não ser pelo seu futebol e pela idade, continua o mesmo. A Carlinhos, dezenove anos, ponta-direita do Rio Branco, ele dizia na semana passada, com ar de pai preocupado: "Você tem que se cuidar. Treinar, jogar bola, saber com quem anda. Ganhe dinheiro. Se você perde um jogo, ninguém mais vai querer saber de você. Você deve ser pobre, né? Jogador de futebol é sempre pobre".

Garrincha é sempre assim. Será recebido, em todos os lugares, principalmente em Pau Grande, onde dona Nair continua esperando a sua volta, porque "as portas estão abertas". Psicologicamente, dizem que Garrincha jamais cresceu além da fronteira de Pau Grande. Talvez jamais volte para ficar, mas ainda este mês estará lá para assinar os papéis de autorização do casamento de Edenir, sua filha de dezessete anos. Nair tem pressa nesse casamento. Ainda este ano, Mané Garrincha, a alegria do povo, vai ser avô.

http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/250603/garrincha02.html


Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha ou simplesmente Garrincha (Magé, 18 de outubro de 1933Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 1983) foi um futebolista brasileiro que se notabilizou por seus dribles desconcertantes apesar do fato de ter suas pernas tortas. É considerado um dos maiores jogadores de todos os tempos e o maior ponta-direita da história do futebol. No auge de sua carreira, passou a assinar Manuel dos Santos, em homenagem a um tio homônimo, que muito o ajudou. Garrincha também é amplamente considerado como o maior driblador da história do futebol.

Elza

Garrincha e Elza Soares, com quem viveria bons e maus momentos.

“O primeiro jogo de Garrincha com a camisa do Botafogo aconteceu no dia 21 de junho de 1953 em um amistoso contra o Avelar-RJ. O placar: 1 a 0, gol de Garrincha. Na volta da excursão, o preparador físico Paulo Amaral, responsável pela equipe na época, colocaria em seu relatório que o jogador tinha um único defeito: driblava demais”.

No acanhado estádio do Bonsucesso, na rua Teixeira de Castro, o Botafogo jogava contra o time da casa e, mal das pernas, quase no final do primeiro tempo, perdia por 1x 0, quando o juiz marcou penalty a favor do alvinegro. Nilton Santos, zagueiro e capitão do time foi ao técnico (me parece que era Gentil Cardoso ou Zezé Moreira, não lembro bem) e recebeu orientação para Dino ou Vinicius (os dois astros do ataque e artilheiros do time) bater a penalidade. Os dois se recusaram e, de repente, um estreante, um moleque de pernas tortas, vindo de Pau Grande, no interior do Rio, jogando com a camisa sete, pegou a bola e a pôs na marca do penalty. Chutou sem olhar para o goleiro e empatou a partida.
No segundo tempo, aquele desconhecido fez diabruras com a bola, metendo-a onde queria, inclusive por debaixo das pernas dos defensores adversários. Marcou mais dois gols e deu passes preciosos para Dino (1) e Vinicius (2) completarem a goleada – 6 x 3 para o Botafogo.
 O locutor que acompanhava o jogo interrompeu a transmissão do Maracanã algumas vezes para informar que um tal de “Gualicho” ou Garrincha, estreante, estava comendo a bola e se constituía na sensação da partida. Acho que foi Luiz Mendes, ainda hoje comentarista da rádio Globo.

grupo

Murilo, Manga, Brito, Fontana, Oldair e Roberto Dias. Agachados: Garrincha, Alcindo, Silva, Fefeu e Rinaldo. Esta era uma das 4 seleções pré convocadas para a copa de 1962.
Assim foi a estreia de Garrincha no Botafogo, clube pelo qual jogou mais 12 anos e pelo qual se tornou campeão carioca e chegou à seleção brasileira, sagrando-se campeão do mundo na Copa de 1958, quando foi um dos destaques  daquele time que ainda tinha Didi, Vavá, Zagalo e o inigualável Nilton Santos – entre outros, feito que repetiu na Copa do Chile, em 1962 quando, em virtude da contusão de Pelé, jogou quase sozinho pela linha inteira.

 http://fogoeterno.wordpress.com/category/historias-gloriosas/page/2/ 


Garrincha, "O Anjo de Pernas Tortas", foi um dos heróis da conquista da Copa do Mundo de 1958 e, principalmente, da Copa do Mundo de 1962 quando, após a contusão de Pelé, se tornou o principal jogador do time brasileiro. A força do seu carisma ficou marcada rapidamente nas palavras do poeta de Itabira, Carlos Drummond de Andrade, numa crônica publicada no Jornal do Brasil, no dia 21 de janeiro de 1983, um dia após a morte do genial Garrincha:

 

Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.

De origem humilde, com quinze irmãos na família, Manuel dos Santos era natural de Pau Grande, um distrito de Magé, no estado do Rio de Janeiro. Sua irmã o teria apelidado de Garrincha, fazendo uma associação com o pássaro de mesmo nome, muito comum na região.

As pernas tortas

Uma das características marcantes que envolvem a figura de Garrincha relaciona-se a uma distrofia física: as pernas tortas. Numa perspectiva frontal, por exemplo, sua perna esquerda, seis centímetros mais curta que a direita, era flexionada para o lado direito, e a perna direita, apresentava o mesmo desenho. Afirma Ruy Castro em seu livro que já teria nascido assim, mas há vários depoimentos no sentido que tal característica tenha sido sequela de uma poliomielite.

62

Foto rara de Garrincha na seleção de 1962.
Primeiros brilhos

Com quatorze anos de idade, começou a jogar amadoramente no Esporte Clube Pau Grande e seu talento, já manifestado, despertou a atenção de Arati: um ex-jogador do Botafogo. Não se sabe com certeza quem o levou a fazer um teste no Botafogo, mas nos minutos iniciais do primeiro treino, ele teria dado vários dribles em Nílton Santos, o qual já era um renomado jogador.

Vida pessoal

Garrincha casou-se com Nair, namorada da infância, com quem teve nove filhas. Suas filhas Tereza e Nadir já estão falecidas. Separou-se de Nair e foi casado com Elza Soares por 15 anos, de 1968 a 1983. Os dois tiveram um filho, Manuel Garrincha dos Santos Júnior (9 de julho de 197711 de janeiro de 1986), morto aos 9 anos de idade num acidente automobilístico. Neném, o filho dele com Iraci, anterior ao casamento com Elza, também morreu num acidente em Portugal em 20 de janeiro de 1992, aos 28 anos. Garrincha também é pai de um filho sueco: Ulf Lindberg, fruto de um relacionamento com uma sueca da cidade de Umeå, durante uma excursão do Botafogo à Europa em 1959.

filhos

Garrincha e os filhos do primeiro casamento com Nair.

Jogador profissional

Por praticamente toda a sua carreira (95% das partidas), Garrincha defendeu o Botafogo (no período de 1953-1965), além da Seleção Brasileira (de 1957-1966).

Já em fim de carreira jogou alguns meses no Sport Club Corinthians Paulista (1966) no Clube de Regatas do Flamengo (1969)e no Olaria, porém já estava longe de seu auge. Teve uma partida disputada pelo Vasco, em um amistoso contra a seleção da cidade de Cordeiro (RJ), marcando um gol nesta partida. Sua contratação não foi fechada pela equipe cruzmaltina devido a sua má condição física e foi devolvido ao Sport Club Corinthians Paulista após o supracitado amistoso.

Jogou sessenta partidas pelo Brasil entre 1955 e 1966. Em todos os seus jogos, participou de apenas uma derrota (de 3 a 1 para a Hungria na Copa de 66). Com Garrincha e Pelé jogando ao mesmo tempo, o Brasil nunca perdeu.

Mesmo na Seleção Brasileira, Garrincha nunca abandonou sua forma irreverente de jogar. Voltava a driblar o jogador oponente, no mesmo lance, ainda que desnecessariamente, só pela brincadeira em si.

Nos clubes, jogou 614 vezes, marcando 245 gols pelo Botafogo e sua carreira profissional se prolongou de 1953 a 1972.

“Numa noite quente do dia 3 de janeiro de 1962, Botafogo e Santos fizeram no Maracanã um jogo inesquecível. Campeões carioca e paulista do ano anterior, Botafogo e Santos, além das atrações habituais em suas equipes, apresentavam simplesmente Garrincha e Pelé como suas principais atrações. Antes da partida, como melhor jogador da temporada anterior, Garrincha recebeu um carro de presente, um Simca Chambord azul e branco que ficou estacionado num tablado atrás da baliza à direita das tribunas. Alegre e sorridente, Garrincha, após a rápida solenidade da entrega das chaves do automóvel, foi carregado em triunfo pelos próprios companheiros. Depois, recebeu os cumprimentos de Pelé no centro do campo. A vitória do Botafogo por 3 a 0 num simples amistoso – numa época em que os jogadores não tinham férias – não foi o fato mais destacado. O importante é que o ano de 1962 marca, sem sombra de dúvida, o derradeiro ano da plenitude da forma de Garrincha”.

sinca

Foto do Sinca Chambord.

Sinca Chambord, o primeiro carro do jogador de pernas tortas que garantiu ao Brasil o bicampeonato na Copa do Mundo do Chile, em 1962. Garrincha nem tinha carteira de motorista, não sabia dirigir, mas ganhou o concurso promovido pelo Jornal dos Sports e que daria o carrão de luxo para o jogador mais popular do Brasil. Contou com a ajuda dos amigos para comprar cupons do jornal para vencer.
Sabe, se não lemos esquecemos nuances da nossa história. Garrincha e o Sinca Chambord são exemplos. Se ninguém registra a biografia desse grande craque que nasceu em Pau Grande, uma localidade do município de Magé (RJ), e fez história no Botafogo, a nova geração só ficaria sabendo dele o óbvio, que foi um grande jogador, exímio na arte de driblar e só.  Sinca Chambord foi o primeiro carro de luxo feito no Brasil na época. A fábrica foi fundada em 1958 em São Bernardo do Campo, cidade do Lula, e ficou aberta até 1967, quando foi comprada pela Chrysler.  De banco de couro e quatro portas, o Sinca Chambord foi lançado em 1959 com design que lembrava o estilo americano. Só sei que Garrincha foi de carro para o sítio de um amigo num dia daqueles de chuva forte. No outro dia, o Sinca Chambord flutuava... Diz no livro de Ruy Castro que o carro nunca mais foi o mesmo. Enfim, luxo, grana e carrão nunca foram o forte de Garrincha. Ele gostava mesmo era de jogar bola, de mulher e de bebida.

cerimônia

Garrincha com o Sinca Chambord ao fundo (na foto, Mané com Gilmar, goleiro do Santos e da Seleção Brasileira bicampeã do mundo em 1962. À  esquerda, de terno preto, o jornalista Mário Filho).

O filme lançado nos anos noventa não faz jus ao verdadeiro Garrincha, parece mais um filme pornográfico, desrespeitando sua integridade e a nação brasileira.

O último gol de Garrincha aconteceu no empate do Olaria Atlético Clube em 2 a 2 com o Comercial, dia 23 de março de 1972, no Estádio Palma Travassos em Ribeirão Preto. Foi, inclusive, o único gol de Mané pelo Olaria Atlético Clube.

Garrincha faleceu aos 49 anos em 20 de janeiro de 1983, vítima de cirrose hepática, tendo sido velado num caixão sob a bandeira do Botafogo.

pernas

Detalhes sobre as pernas de Garrincha.
Em seu epitáfio lê-se "Aqui jaz em paz aquele que foi a Alegria do Povo – Mané Garrincha." mas recente tem-se notícias que seu túmulo encontra-se abandonado sem ao menos uma homenagem justa de um ser que trouxe tantas alegrias, este dizeres que esta em seu epitáfio foi gravado na pedra e nem uma foto há, perde-se a história de um grande ídolo por falta de atenção de algumas autoridades que podem fazer algo.

Tudo indica que talvez uma das causas de sua morte precoce foi o excesso de bebida alcoólica, principalmente cachaça, por ele ingerida ao longo de sua vida. O fato do seu gosto pela branquinha era tão conhecido que algumas marcas traziam seu nome. 

Em 2010, torcedores do Botafogo custearam uma estátua de quatro metros e meio e cerca de 300kg, ao custo de R$ 56.000,00 pagos ao artista plástico Edgar Duvivier. Essa estátua encontra-se hoje em frente ao Estádio João Havelange, onde o Botafogo manda seus jogos.

Já em novembro de 2011 durante a convenção mundial de futebol Soccerex, Eusébio, maior jogador português e contemporâneo tanto de Pelé quanto Garrincha, declarou abertamente que considerava Garrincha o melhor jogador de todos os tempos.

Essa declaração contraria a maior parte da mídia porém está de acordo com parte significativa da crítica especializada e dos que viram os dois jogadores em campo. Boa parte do argumento reside no fato de que mil gols (o record de Pelé), outros já fizeram. Porém, jogar habilidosa e alegremente como Garrincha, não houve quem fizesse

http://pt.wikipedia.org/wiki/Garrincha

VÍDEO COM OS MELHORES DRIBLES DE GARRINCHA:

http://www.youtube.com/watch?v=VZqS9JVtfdo


  Veja uma tabela com as informações sobres os clubes que ele defendeu:

Pelo Botafogo (Rio de Janeiro)

* Partidas: 614
* Gols marcados: 245
* Partida de estréia: Botafogo 6 – 3 Bonsucesso (19 de julho de 1953)
* Primeiro gol: Marcado na partida acima.
* Última partida: Botafogo 2 – 1 Portuguesa do Rio (16 de setembro de 1965)
* Último gol: Botafogo 1 – 0 Flamengo (22 de agosto de 1965)

Jogando Pelo Corinthians (São Paulo)

* Partidas: 13
* Gols marcados: 2
* Partida de estréia: Corinthians 0 – 3 Vasco (2 de março de 1966)
* Primeiro gol: Corinthians 2 – 1 [[Cruzeiro Esporte Clube|Cruzeiro (13 de março de 1966)
* Última partida: Corinthians 0 – 3 Santos (9 de outubro de 1966)
* Último gol: Corinthians 2 – 0 São Paulo (19 de março de 1966)

Pelo Atlético Junior (Barranquilla, Colômbia)

* Partidas: 1
* Gols marcados: 0
* Única partida: Junior 2 – 3 Santa Fé (20 de Agosto de 1968)

Pelo Flamengo (Rio de Janeiro)

* Partidas: 15
* Gols marcados: 4
* Partida de estréia: Flamengo 0 – 2 Vasco 30 de novembro de 1968)
* Primeiro gol: Flamengo 2 – 2 América-RJ (19 de janeiro de 1969
* Última partida: Flamengo 1 – 0 Campo Grande-RJ (14 de dezembro de 1969)
* Último gol: Flamengo 2 – 1 ABC-RN (9 de fevereiro de 1969)

com pelé

Garrincha com Pelé no vestiário em intervalo de jogo da seleção brasileira.
Pelo Olaria (Rio de Janeiro)

* Partidas: 10
* Gols marcados: 1
* Partida de estréia: Olaria 1 – 1 Flamengo (23 de fevereiro de 1972)
* Última partida: Olaria 0 – 1 Botafogo (23 de agosto de 1972)
* Único gol: Olaria 2 – 2 Comercial de Ribeirão (23 de março de 1972)

Pela Seleção Brasileira

* Partidas: 61
* Gols: 17
* Partida de estréia: Brasil 1 – 1 Chile (18 de setembro de 1955)
* Primeiro gol: Brasil 5 – 0 Corinthians (28 de maio de 1958) – Garrincha marcou 2 gols na partida
* Última partida: Brasil 1 – 3 Hungria (15 de julho de 1966)
* Último gol: Brasil 2 – 0 Bulgária (12 de julho de 1966, Copa do Mundo de 1966)

Pela Seleção Carioca

* Partidas: 9
* Gols: 7
* Partida de estréia: Rio de Janeiro 3 – 2 Pernambuco (9 de março de 1955)
* Primeiro gol: Marcado na partida acima.
* Última partida: Rio de Janeiro 6 – 4 São Paulo (19 de dezembro de 1962)
* Último gol: Marcado no partida acima.
* Obs: Aqui está computada também a partida Combinado Botafogo-Flamengo 6 – 2 Honved-Hungria (7 de fevereiro de 1957), no qual Garrincha marcou 1 gol.

túmulo

Túmulo de Garrincha esquecido e abandonado.

Pelo Fortaleza (Fortaleza)

* Partidas: 1
* Gols: 0
* Partida de estréia: Fortaleza 1×0 Fluminense (28 de janeiro de 1968)
* Primeiro gol: Garrincha não marcou gols pelo Fortaleza
* Última partida: Fortaleza 1×0 Fluminense (28 de janeiro de 1968)

Pelo Alecrim (Natal)

* Partidas: 1
* Gols: 0
* Partida de estréia: Alecrim 0 – 1 Sport (4 de fevereiro de 1968)
* Primeiro gol: Garrincha não marcou gols pelo Alecrim
* Última partida: Alecrim 0 – 1 Sport (4 de fevereiro de 1968)

Pelo Novo Hamburgo (Novo Hamburgo)

* Partidas: 1
* Gols: 0
* Partida de estréia: Internacional 3 – 1 ECNH (2 de julho de 1969)
* Primeiro gol: Garrincha não marcou gols pelo Esporte Clube Novo Hamburgo
* Última partida: Internacional 3 – 1 ECNH (2 de julho de 1969)

Total geral

* Partidas: 716
* Gols marcados: 283

taça

Garrincha abraça a taça de 1958.

Títulos conquistados por Mané Garrincha:

Pelo Botafogo

* Torneio Intercontinental de Clubes-FRA: (1963)
* Torneio Rio – São Paulo: (1962 e 1964)
* Campeonato Carioca: (1957, 1961 e 1962)
* Torneio Quadrangular do Rio de Janeiro: (1954)
* Torneio Internacional da Colômbia: (1960)
* 6º Torneio Pentagonal do México:(1962)
* Torneio Governador Magalhães Pinto: (1964)
* Torneio Jubileu de Ouro da Associação de Futebol de La Paz (1964).
* Torneio Quadrangular do Suriname: (1964)

Pelo Corinthians

* Rio-São Paulo: (1966)

Pela Seleção Brasileira

* Copa do Mundo FIFA: (1958)
* Copa do Mundo FIFA: 1962)
* Taça Bernardo O’Higgins: (1955, 1959 e 1961)
* Taça Oswaldo Cruz: (1958, 1961 e 1962)
* Copa Rocca: (1960)

http://ihaa.com.br/biografiatitulos-e-historia-do-jogador-mane-garrincha/


Frases marcantes e eternas de e sobre Garrincha.

"Você viu Didi, o São Cristóvão está de uniforme novo! " Obs.: Garrincha, em 62 no Chile, reparando no uniforme dos ingleses.
"A bola veio para a esquerda, mas não dava para trocar de pé . Então chutei de esquerda fazendo de conta que era de direita. " Obs.: Explicando seu gol contra o Chile nas semifinais da copa de 62. (Garrincha).
"É muito bom jogar por ali. A gente recebe um monte de bola " Obs.: Após ter descoberto contra a Inglaterra como era bom jogar no meio de campo. (Garrincha).
"Viu, não é só você que sabe chutar assim. " Obs.: Brincando com Didi após marcar o terceiro gol contra a Inglaterra nas quartas de final na de 62. (Garrincha).
"Campeonatinho mixuruco, nem tem segundo turno! " Obs.: Durante a comemoração da conquista da Copa do Mundo em 58. (Garrincha).
"Garrincha é um verdadeiro assombro. Não pode ser produto de nenhuma escola de futebol. É um jogador como jamais vi igual."(Gavril Katchalin, técnico soviético em 62).
"Para Mané Garrincha, o espaço de um pequeno guardanapo era um enorme latifúndio."(Armando Nogueira, jornalista e escritor).
"Eu digo: não há no Brasil, não há no mundo ninguém tão terno, ninguém tão passarinho como o Mané." (Nélson Rodrigues, escritor, dramaturgo e jornalista esportivo, sobre Garrincha).
"De que planeta veio Garrincha?"(Jornal El Mercurio, do Chile, na Copa de 62).
“Eu fazia o lançamento e tinha vontade de rir. O Mané ia passando e deixando os homens de bunda no chão. Em fila, disciplinadamente."(Didi, sobre Garrincha na Copa de 58).

cadê o marcador?

"Monsieur Guingue, ordena o começo da partida. Didi centra rápido para a direita: 15 segundos de jogo. Garrincha escora a bola com o peito do pé: 20 segundos. Kuznetzov parte sobre ele. Garrincha faz que vai para esquerda, não vai, sai pela direita. Kuznetzov cai e fica sendo o primeiro João da Copa do Mundo: 25 segundos. Garrincha dá outro drible em Kuznetzov: 27 segundos. Mais outro: trinta segundos. Outro. Todo estádio levantou-se. Kuznetzov está sentado, espantado: 32 segundos. Garrincha parte para a linha de fundo. Kuznetzov arremete outra vez, agora ajudado por Voinov e Krijveski: 34 segundos. Garrincha faz assim com a perna. Puxa a bola prá cá, prá lá e sai de novo pela direita. Os três russos estão esparramados na grama, Voinov com o assento empinado para o céu.

O estádio estoura de riso: 38 segundos. Garrincha chuta violentamente, cruzado, sem ângulo. A bola explode no poste esquerdo da baliza de Iashin e sai pela linha de fundo: 40 segundos. A platéia delira. Agora é aplaudido. A torcida fica de pé outra vez. Garrincha avança com a bola. João Kuznetzov cai novamente. Didi pede a bola: 45 segundos. Chuta de curva, com a parte de dentro do pé. A bola faz a volta ao lado de Igor Netto e cai nos pés de Pelé. Pelé dá a Vavá: 48 segundos. Vavá a Didi, a Garrincha, outra vez a Pelé, Pelé chuta, a bola bate no travessão e sobe: 55 segundos. O ritmo do time é alucinante. É a cadência de Garrincha. Iashin tem a camisa empapada de suor, {EAU} como se já jogasse há várias horas. A avalanche continua. Segundo após segundo, Garrincha dizima os russos. A histeria domina o estádio. E a explosão vem com o gol de Vavá, exatamente aos TRÊS minutos" - Ney Bianchi em Manchete Esportiva, reproduzido no livro Estrela Solitária de Rui Castro”.

http://mundobotafogo.blogspot.com.br/


“Um Garrincha transcende todos os padrões de julgamento. Estou certo de que o próprio Juízo Final há de sentir-se incompetente para opinar sobre o nosso Mané."(Nelson Rodrigues, escritor e jornalista).

“Estávamos em pânico pensando no que Garrincha poderia fazer. Não existia marcador no mundo capaz de neutralizá-lo."(Nils Liedholm, meia da Suécia na Copa de 58).

“Em cinqüenta anos de futebol jamais apareceu um jogador como Garrincha."(Jornal inglês Daily Mirror).
“Eles eram infernais. Ninguém os conteria. Se você marcasse o Pelé, Garrincha escapava e vice-versa. Se você marcasse os dois, o Vavá entraria e faria o gol. Eles eram endemoniados."(Just Fontaine, maior artilheiro em uma única Copa do Mundo, a respeito do time brasileiro da Copa de 58).

amparando Pelé

Garrincha ampara Pelé, em prantos, após o quinto gol contra a Suécia.

“Veja aquele beque do Brasil. Olhe seu uniforme, limpo, parece engomado. Olhe seus cabelos, penteados. Ele é Nílton Santos. Aquela cabeça armazena o que há de melhor em inteligência. Aquelas pernas limpas produzem o melhor estilo do mundo. Ele joga em pé, pleno de classe, como convém aos deuses da bola."(Nestor Rossi, indignado com o companheiro, que marcava Garrincha e estava todo sujo de lama)
"Rossi se esqueceu de dizer que eu sempre joguei junto com Garrincha. Contra ele, só no primeiro treino no Botafogo. Pedi que o contratassem. Graças a Deus, fui atendido."(Nílton Santos, em resposta a Nestor Rossi).

Certa vez, antes de uma partida internacional, um repórter lhe perguntou: "Quem é o lateral que vai te marcar?"

Ele respondeu: "Escreve aí que é um tal de João". A partir daquele dia, todas as vítimas que Mané Garrincha entortou pela vida seriam identificadas como "João".

Num flagrante fotográfico da partida contra o México, no Mundial de 1962, é possível contar oito marcadores ao seu redor. Seu drible mais conhecido consistia numa arrancada pela direita precedida de uma freada brusca. Jogou “SESSENTA” partidas pelo Brasil entre 1955 e 1966. Em todos os seus jogos, participou de apenas uma derrota (de 3 a 1) para a Hungria na Copa de 66. Com Garrincha e Pelé jogando ao mesmo tempo, o Brasil nunca perdeu. Foi expulso uma única vez em toda a carreira. Aconteceu na semifinal da Copa de 1962, contra o Chile. Respondeu a uma cusparada e um tapa no rosto dado pelo adversário Eládio Rojas com um inocente e tímido pontapé na bunda.

joão

Garrincha deixa dois "Joões" na saudade.

Um dos motivos de Garrincha não ter sido titular no começo em 1958 foi um incidente ocorrido num amistoso contra a Fiorentina, da Itália, alguns meses antes. Num gol antológico, Garrincha driblou 4 jogadores, o goleiro, e com o gol aberto esperou a volta de um zagueiro, driblou de novo e aí sim fez o gol. A comissão técnica não gostou da molecagem e ele quase não joga a Copa.

final

Garrincha em uma de suas últimas aparições públicas.

Existem duas versões para a expressão típica das touradas terem ido parar nos campos de futebol. A primeira delas conta que foi em um jogo do Botafogo contra o América do México, na Cidade do México. O Botafogo tinha um esquadrão: Didi, Garrincha, Manga, Nilton Santos e Quarentinha, entre outros. Para parar os brasileiros, os mexicanos começaram com entradas duras, principalmente em Garrincha. Irritados, os jogadores do Botafogo optaram por um toque de bola rápido, colocando os adversários "na roda". Surpreendidos, os jogadores do América chegavam atrasados na bola e a torcida começou a gritar "olé!" a cada toque de bola. A outra versão diz que o "olé" surgiu em um jogo entre River Plate (Argentina) x Botafogo, em um amistoso no México, em 1958. Garrincha teria dado um baile em seu marcador, o lateral Roque Vairo. Diz a lenda que toda vez que Garrincha dançava com a bola parada em frente ao seu marcador a torcida enlouquecia e gritava "olé!".

carnaval

Em 1980, já extremamente debilitado, Garrincha é homenageado pela Mangueira no carnaval.

Garrincha, depois de se destacar como o principal jogador da Copa de 62, no Chile, passou a viver uma série de problemas pessoais, que se refletiram em sua relação profissional com o Botafogo. O clube discordava de suas reivindicações salariais. Ele pouco jogou no campeonato de 62. Suas seguidas ausências aos jogos foram interpretadas pelos dirigentes como má vontade. e ele chegou a ser multado pelo clube. Convencido por Marinho e Tomé, que foram buscá-lo em Pau Grande, Garrincha treinou na semana da decisão contra o Flamengo, prometendo acabar com o rubro-negro, que levava a vantagem do empate. No dia 15 de dezembro de 1962, o Maracanã recebeu 146 mil 287 torcedores, que assistiram à exibição de gala de Mané Garrincha. Flávio Costa montou um esquema para neutralizá-lo. Escalou Gerson na ponta-esquerda para dar o primeiro combate, enquanto Jordan fazia a cobertura. Garrincha não tomou conhecimento de seus marcadores e liquidou o Flamengo, participando dos três gols alvinegros. Marcou o primeiro gol e o terceiro e, no segundo, chutou a bola que bateu no zagueiro Vanderlei e entrou.

O lance desse segundo gol do Botafogo é contado por Gerson:

“Eu no Flamengo e o Mané no Botafogo, marcado pelo Jordan, na decisão de 62. Eu nunca fui marcador. Aí, para o Mané a um palmo da linha de fundo, não mais do que isso, eu na frente dele e o Jordan atrás, falando: ‘Vai, vai.’ Estou indo, e o Mané com a bola parada. O Jordan grita: ’Para aí.’ Eu parei e pensei comigo: ‘Quero saber o que esse cara vai fazer.’ Eu olhando pra ele e ele olhando pra mim. O que é o pior, ele começou a empurrar a bola pra cima de mim e eu comecei a recuar. Estou me arrumando e pensando que ele não poderia passar pelo meu lado esquerdo, porque é a linha de fundo. Por aqui não vai passar, porque eu dou uma trombada nele. Estou recuando e ele, empurrando a bola pra cima de mim. De repente, ele dá o drible dele. Joga o corpo pra esquerda e eu e Jordan fomos no movimento. Mané tocou a bola pra direita, passou entre nós e a linha de fundo, deu uma pancada, a bola bateu no rosto do Vanderlei e entrou. Garrincha foi o maior jogador de futebol que eu vi jogar na minha vida. Ele era desconcertante.”

Quando morreu, quem pagou pelo seu enterro foi o cantor Agnaldo Timóteo.

velório

Velório de Garrincha, com a bandeira do Botafogo cobrindo seu caixão.


 

filhos

Imagem rara de Garrincha com os filhos do primeiro casamento.
''A descoberta de Garrincha'', por Nelson Rodrigues:

E eis que pela primeira vez,um "seu" Manuel é o personagem da semana. Com esse nome cordial e alegre de anedota ele tomou conta da cidade, do Brasil e, mais do que isso, da Europa. Creiam, amigos: o jogo Brasil x Rússia acabou nos três minutos iniciais. Insisto, nos três minutos já o seu Manuel, já o Garrincha, tinha derrotado a colossal rússia, com a Sibéria e tudo o mais. E notem: bastava ao Brasil um empate. Mas o meu personagem não acredita em empate e disparou pelo campo adversário, como um tiro. Foi driblando um , driblando outro e consta inclusive que, na sua penetração fantástica, driblou até as barbas de Rasputin.

Amigos, a desintegração da defesa russa começou exatamente na primeira vez em que Garrincha tocou na bola. Eu imagino o espanto imenso dos russos diante deste garoto de pernas tortas, que vinha subverter todas concepções do futebol europeu.Como marcar o imarcável?

 Na sua imaginação impotente, o adversário olhava Garrincha, as pernas tortas e concluía: "Isso não existe!".

 E eu, como os russos, já me inclino a acreditar que, de fato, domingo Garrincha não existiu. Foi para o público internacional uma experiência inédita. Realmente, jamais se viu , num jogo de tamanha responsabilidade , um time, ou melhor , um jogador começar a partida com um baile. Repito: baile sim, sim , baile! E o que dramatiza o fato é que foi baile não contra um perna-de-pau , mas contra o time poderosíssimo da Rússia.

 Só um Garrincha poderia fazer isso. Porque Garrincha não acredita em ninguém e só acredita em si mesmo. Se tivesse jogado contra a Inglaterra, ele não teria dado a menor pelota para a rainha Vitória, o lord Nelson e a tradição naval do adversário.

 Absolutamente. Para ele, Pau Grande, que é a terra onde nasceu, vale mais que toda comunidade britânica. Com esse estado de alma, plantou-se na sua ponta para enfrentar os russos.

 Os outros brasileiros poderiam tremer. Ele não e jamais. Perante a platéia internacional , era quase um menino. Tinha essa humilhante sanidade mental do garoto que caça cambaxirra com espingarda de chumbo e que em pau grande, na sua cordialidade indiscriminada, comprimenta até cachorro. Antes de começar o jogo, o seu marcador havia de olhá-lo e comentar para si mesmo, em russo: "Esse não dá para saída!". E, com dois minuto e meio, tínhamos enfiado na Rússia duas bolas na trave e um gol. Aqui, e em toda a extensão do território nacional, começávamos a desconfiar que é bom, é gostoso ser brasileiro.

 Está claro que não estou substimando o peito dos outros jogadores brasileiros. Deus me livre. Por exemplo: cada gol de Vavá era um hino nacional. Na defesa , Bellini chutava até a bola.

E quando no segundo tempo, Garrincha resolveu caprichar no baile, foi um carnaval sublime. A coisa virou show de grande Otelo. E tem razão um amigo, que ouvindo o rádio, ao meu lado, sopra-me: "Isso que o Garrincha está fazendo é pior que xingar a mãe!". Calculo que, a essa altura, as cinzas do czar haviam de estar humilhadissímas. O marcador do"seu Manuel" já não era um, eram três. E , então, começou a se ouvir, aqui no Brasil, na praça da Bandeira, a gargalhada cósmica, tremenda, do público sueco. Cada vez que Garrincha passava por um, o público vinha abaixo. Mas não creiam que ele fizesse isso por mal. De modo algum. Garrincha estava ali com a mesma boa fé inefável com que, em Pau Grande, vai chumbando as cambaxirras, e os pardais. Via nos russos a inocência dos passarinhos, desterrados de Pau Grande.

Calculo que, lá pelas tantas, os russos, na sua raiva obtusa e infensiva, haviam de imaginar que o único meio de destruir Garrincha era caçá-lo a puladas. De fato, domingo, só a pauladas e talvez nem isso, amigos, talvez nem assim.

  NELSON RODRIGUES   (Manchete Esportiva,21/6/1958)

 Brasil 2 x 0 União Soviética,15/6/1958,em Gotemburgo(Suécia). A URSS era apontada como o grande fantasma da Copa por seu "futebol científico".

o filho sueco

Ulf, o filho sueco com sua esposa, Rose, encontra a irmã em Curitiba.

 pau grande

 http://esporteclubepaugrande.blogspot.com.br/

 

topo